Base aérea do Camp Adder — A fuga

1412 Palabras
Base aérea do Camp Adder — A fugaOs dois personagens estranhos, ainda vestidos como beduínos, tinham acabado de entrar no seu esconderijo na cidade quando um fraco som intermitente do computador portátil, ainda a trabalhar na mesa da sala de estar, atraiu a atenção deles. – Quem diabos é agora? – perguntou o mais magro irritado. O grandalhão, que estava a coxear mais do que nunca, aproximou-se do computador e, depois de digitar uma senha decididamente complicada, disse: –É uma mensagem da base. –Eles vão querer saber se a operação foi bem-sucedida. –Dê-me um segundo para decodificá-la. Uma série de símbolos incompreensíveis apareceu no monitor e, depois de digitar uma combinação de códigos em sequência, a mensagem lentamente começou a aparecer. General capturado e levado para a base aérea em Camp Adder. Requer operação de resgate imediata. – Pelo amor de Deus! – exclamou o gordo. – Eles já sabem. – Como eles conseguiram isso? – Bem, eles definitivamente têm mais ligações diretas do que nós. Eles não perdem muito. – E o que eles esperam que façamos? – Não sei. Apenas diz aqui que devemos ir e libertá-lo. – Vestidos assim? – Eu não acho que seja uma boa ideia. O sujeito alto e magro puxou uma cadeira debaixo da mesa, girou-a em torno de noventa graus e então, proferindo uma série de gemidos intermitentes, sentou-se exausto. – Isso é tudo que precisávamos! Ele descansou um cotovelo na superfície polida e olhou distraidamente para fora da janela à sua frente. Ele notou que as janelas estavam decididamente encardidas e a da direita tinha uma rachadela correndo quase todo o seu comprimento. De repente, ele ergueu os olhos para o companheiro e, com um sorrisinho sardónico, disse: – Acabei de ter uma ideia. – Eu sabia, eu conheço esse olhar. – Vai buscar a caixa de primeiros socorros e deixa-me dar uma olhada no mamelão que tens na tua cabeça. – Para dizer a verdade, estou mais preocupado com o meu pulso. Eu gostava de saber se está partido. – Não te preocupes, eu vou arranjar isso por ti. Eu queria ser veterinário quando eu era criança. Depois de pouco mais de uma hora e doses maciças de analgésicos e pomadas espalhadas por toda a parte, os dois comparsas estavam quase tão bons quanto novos de novo. Depois de olhar para si no espelho pendurado na parede ao lado da porta de entrada, o sujeito magro disse com um sorriso: – Agora podemos ir. – e entrou no quarto. Ele surgiu pouco depois segurando dois uniformes militares americanos bem engomados. – Onde compraste esses? – perguntou o gordo com espanto. – Eles são parte do conjunto de emergência que eu trouxe comigo. Nunca se sabe. – Tu és completamente louco. – disse o grandalhão, balançando a cabeça ligeiramente. – O que deveríamos fazer? – Aqui está o plano. – disse o indivíduo magro, com um ar satisfeito, atirando ao seu companheiro um XXL. – Serás o General Richard Wright, chefe da uma agência governamental ultrassecreta que ninguém conhece. – Obviamente, se é supersecreto. E tu? – Eu serei o teu braço direito. Coronel Oliver Morris, ao seu serviço, senhor. –Então, eu sou o teu superior. Gosto disso. – Não te acostumes, ok? – disse o homem magro levantando o dedo indicador. – E estes são nossos documentos com nossos crachás de identidade. – Caramba... Eles parecem verdadeiros. – E isso não é tudo, camarada. – e ele mostrou-lhe uma folha de papel timbrado assinada diretamente pelo Coronel j**k Hudson. – Este é o pedido oficial de transferência de prisioneiros para uma transferência para um “lugar mais seguro”. – Mas onde diabos conseguiste tu isso? – Eu imprimi isso antes enquanto estavas no duche. Achavas que eras o único mago com computadores? – Estou espantado. É ainda melhor que o original. –Vamos entrar na base militar e deixá-los entregar o General. Se eles se opuserem, poderíamos sempre pedir que liguem diretamente para o Coronel Hudson. Eu não acho que os telemóveis funcionem no espaço. –e os dois gritaram de tanto rir. Cerca de uma hora depois, quando o sol caíra atrás de uma duna alta, um jipe militar, carregando um Coronel e um General em uniforme de gala, parou na barreira de entrada da base aérea Imam Ali ou Camp Adder como os americanos o haviam renomeado durante a guerra do Iraque. Dois militares, armados até aos dentes, saíram da guarita blindada e avançou rapidamente em direção ao veículo. Dois outros, à distância, mantiveram os olhos nos passageiros. – Boa noite, Coronel. – disse o soldado mais próximo, fazendo uma saudação militar inteligente. – Posso ver os seus e os documentos do General, por favor? O Coronel alto e magro que estava sentado no banco do motorista não disse nada. Ele pegou um envelope amarelo do bolso interno do seu casaco e entregou-lhe. O soldado passou algum tempo lendo e apontou a lanterna duas vezes para o rosto deles. O General sentiu distintamente a gota de suor que, começando logo abaixo da protuberância na testa, começou a escorrer devagar pelo nariz, para então cair no terceiro botão do seu casaco, que estava a ser inacreditavelmente tenso pelo poderoso impulso do estômago enorme por baixo. – Coronel Morris e General White. – disse o soldado, apontando novamente a lanterna no rosto do Coronel. –Wright, General Wright! – respondeu o magro Coronel num tom de voz decididamente irritado. – Qual é o problema, Sargento, não sabe ler? O Sargento, que pronunciou incorretamente o sobrenome do General, sorriu levemente e disse: –Vou chamar alguém para acompanhá-lo. Siga aqueles homens. – e com um aceno de cabeça ordenou os dois militares para levá-los para a prisão. O Coronel começou devagar a ignição do jipe. Ele não tinha conduzido mais que apenas uma dúzia de metros quando ouviu um grito atrás dele: – Pare, senhor! O sangue congelou nas veias dos dois ocupantes do veículo. Eles permaneceram imóveis por alguns momentos muito longos, até que a voz continuou dizendo: – Esqueceu os seus documentos. O General corpulento deu um suspiro de alívio tão grande que todos os botões do uniforme dele se arriscaram a estourar. – Obrigado, Sargento. – disse o homem magro estendendo a mão para o soldado. – Estou a ficar velho mais rápido do que eu pensava. Eles partiram novamente no jipe e seguiram os dois soldados que, avançando rapidamente, os conduziram à entrada de um edifício baixo e decididamente velho. O soldado mais novo bateu na grande porta e entrou sem esperar por uma resposta. Logo depois, um homem grande, completamente calvo e de cor, com as listras de um Sargento e o rosto de um homem durão, apareceu no limiar e ficou em posição de sentido. Ele saudou e disse: – General, Coronel. Por favor, entrem. Os dois oficiais saudaram em resposta e, tentando ignorar as várias dores que começavam a reaparecer, entraram na grande sala. – Sargento. – disse o homem magro com determinação. – Temos uma ordem escrita aqui do Coronel Hudson autorizando-nos a transportar o General Campbell. – e ele entregou-lhe o envelope amarelo. O grande Sargento abriu-o e demorou a ler o conteúdo. Então, fixando os seus olhos escuros e penetrantes no Coronel, ele sentenciou: – Vou ter que confirmar. – Vá em frente. – respondeu o oficial com calma. O grande homem de cor tirou outra folha de papel de uma gaveta da escrivaninha e a comparou cuidadosamente com a que tinha na mão. Ele olhou para o Coronel de novo e, sem demonstrar qualquer emoção, acrescentou: – A assinatura é a mesma. Importa-se que eu ligue para ele? – É o seu dever. Mas vamos tentar ser rápidos, por favor. Já perdemos muito tempo. – respondeu o magro Coronel, fingindo estar prestes a perder a paciência. De modo algum assustado, o Sargento enfiou a mão no bolso do uniforme e tirou o telemóvel. Ele marcou um número e esperou. Os dois militares sustiveram a respiração até que o funcionário, depois de pressionar uma tecla no seu telefone, laconicamente comentou que "ele não pode ser contatado". – Então, Sargento, vamos continuar? – exclamou o oficial com um tom decididamente mais autoritário do que antes. – Não podemos ficar aqui a noite toda. – Vá buscar o General. – ordenou o grande Sargento a um dos soldados que acompanhava os dois oficiais. Depois de alguns minutos, um homem totalmente careca, com um grande bigode e sobrancelhas grisalhas, e dois pequenos e brilhantes olhos negros, apareceu no limiar da porta atrás do Sargento. Ele usava o uniforme de um General, mas uma das quatro estrelas de ordenanças estava a faltar no ombro direito. Ele foi algemado e, atrás dele, o soldado de antes segurava uma arma. O General saltou por um momento ao ver os dois oficiais; depois, adivinhando o plano, permaneceu em silêncio e pareceu o mais triste que pôde. – Obrigado, soldado. – disse o Coronel magro, removendo a sua Beretta M9 do seu coldre. – Nós ficamos com este ser desprezível agora.
Lectura gratis para nuevos usuarios
Escanee para descargar la aplicación
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Autor
  • chap_listÍndice
  • likeAÑADIR