Dia de filme(2)

1460 Palavras
Quando o filme finalmente acabou, a sala ficou mergulhada num silêncio meio pesado, até que Kelly, com aquele sorriso travesso, resolveu quebrar o clima: — E aí, o que vocês acham da gente jogar esse jogo do tabuleiro? — perguntou, com um olhar de provocação. Na mesma hora, todos os amigos pularam de seus lugares, em uma só voz: — Cê tá maluca? Cê não viu o que aconteceu no filme? Eu não tô a fim de morrer, não! Marco, sempre o brincalhão, deu um passo à frente, posou com orgulho e falou: — Eu tô no auge da minha lindeza, olha só aqui! — e fez uma pose exagerada que arrancou gargalhadas de todas as meninas. Carla, sorrindo, concordou animada: — Realmente, cê tá lindo demais pra morrer agora, meu bem! Otávio, com um sorriso divertido, virou-se para Kelly e falou: — Ai, meu Deus, amor, você é demais, você não existe! E aí, o grupo inteiro caiu na risada, aliviando a tensão do momento, como se aquele clima de medo tivesse sido varrido pela alegria e pelo carinho que eles compartilhavam. Então Isadora se levantou animada, pegou o controle e falou: — Bom, gente... bora pro novo filme! Ela navegou na lista e deu play em Verdade ou Desafio. Assim que começou, o clima tenso voltou na mesma hora. A sala, que antes estava cheia de risadas, agora ficou mais contida, com olhos atentos na tela. — Caraca, esse jogo não é de Deus! — disse Caio, se encolhendo no sofá. — Como é que eles ainda têm coragem de jogar isso? — completou Marcos. — Que isso, isso não existe... — comentou Leandro, já abraçando a almofada como escudo. Cada cena intensa, cada morte que aparecia, deixava todos com os olhos arregalados e a respiração presa. Até que, no meio do filme, bem na hora de uma cena tensa, Isadora pausou tudo. — Gente, calma aí... — disse ela, se virando com um sorrisinho maroto. Foi então que Renata, cheia de energia, se virou pro João e lançou: — Verdade ou Desafio? Ele arregalou os olhos, deu um passo pra trás fingindo pavor e falou: — Mulher, não brinca assim! Sai pra lá! Eu hein... — disse, se afastando com as mãos erguidas, fazendo todo mundo gargalhar. Kelly entrou na brincadeira também, olhando pra Otávio: — Verdade ou Desafio? Ele cruzou os braços, sacudiu a cabeça e disse: — Tá amarrado! Sai pra lá! Eu hein... Mas vai, manda aí... Verdade ou Desafio? Luísa olhou para Leandro, que já estava se escondendo atrás da almofada: — Verdade ou Desafio? — Não! Não! Eu tô em paz com a vida, para com isso! — berrava Leandro, arrancando mais risadas de todos. As brincadeiras seguiram por alguns minutos, com todos se divertindo e rindo alto, até que Isadora deu play novamente e o filme continuou. E mais uma vez, o silêncio voltou... olhos colados na tela... e o medo no ar. Puta que pariu não, cara! — gritou João — Só não fala desafio, não, c****e! Fala verdade! Que merda. Pronto! Morreu, desgraçado! Quem mandou escolher desafio? Aí na hora que a outra menina no filme foi desafiada pra quebrar a mão da outra, eles colocaram a mão na cara. — p**a que pariu, que dor! — Deus me livre, disse Luiza. Na outra cena, o menino foi obrigado a escolher desafio, e ele tinha que mandar o pai implorar pela vida dele. — Ai não... — disse Renata. Todos ficaram apreensivos. — p***a, que merda, hein? O cara não vai implorar... — falou Otávio. Dito e feito: a polícia matou o menino. — Poxa... — disse Isadora. Na cena que a menina teve que dormir com o namorado da outra pra não morrer, todos ficaram agressivos. Na hora que a menina ficou com a maldição na cara segurando o pescoço dele, Leandro falou para Luiza: — Gata, se você faz isso comigo, eu sumo! Deus me livre! Todos gargalharam. Aí, na hora que ele foi obrigado a falar que quem ele ama é a outra, enquanto a menina sentava nele, Kelly soltou: — p***a, que merda, hein?! Eles continuaram assistindo o filme com a atenção no ar. Quando chega na parte que a menina tem que cortar a própria língua pra selar a maldição, Otávio falou: — p***a, que cara mole! Corta logo! — Até parece que é fácil, né? Imagina a dor! — disse Luiza encolhida. — Ué, ele que fez merda! — respondeu Otávio. E todos gargalharam. E no final do filme, que eles lançam uma maldição pra qualquer um que estivesse assistindo, João falou: — Desliga! Desliga! Que p***a de maldição o quê! — Ó, quem vier com papinho de "verdade ou desafio" com essa cara aí, eu vou trancar do lado de fora da casa! E todos gargalharam. Kelly falou: — Não esquece do celular! João então completou: — E bora! Todos me entregam os celulares! E todos gargalharam ainda mais. O filme começou a fluir, e eles já foram montando a equipe na sala. Kelly comentou animada: — p***a, os caras são brabos, na moral! Luiza concordou: — p***a, é verdade, igual eles não! Todo mundo continuava vidrado no filme, até que chegou a cena em que Dominic Toretto abriu os braços e falou, com aquela autoridade: — Aqui é o Brasil! Otávio não segurou a empolgação: — p***a, mandou! Na moral! E todos começaram a vibrar junto com a cena, gritando e aplaudindo como se estivessem ali. Quando chegou o final, e eles finalmente conseguiram pegar o cofre, apareceu Hobbs abrindo o cofre e gargalhando alto. Kelly não resistiu: — Eu amo essa cena! A cara do Hobbs é demais! E todos olharam para a tela e começaram a brincar: — Como assim? Se eu tava aqui, p***a! E caíram na gargalhada geral. Na hora de abrir o cofre, e ver aquele punhado de dinheiro, todo mundo ficou assim, meio descrente: — Porra... Foi aí que Isadora falou: — Só um punhadinho. Só um punhadinho, eu não precisava de tudo isso não. Kelly gargalhou e respondeu: — Né, amiga? A gente é humilde... Até essa mala que o Dom deixou pro Nick já é demais pra gente! Pode ser só um punhadinho, só um negocinho de nada. E todo mundo riu ainda mais, curtindo aquele momento leve depois da adrenalina do filme. Depois daquela cena final, o grupo já queria mais ação. Marcos levantou e disse: — Galera, bora pro segundo filme, Velozes e Furiosa 6! A tela mudou, e começou a sequência onde o Dom faz de tudo para resgatar a Letty, arriscando tudo por ela. Otávio, todo confiante, comentou: — Eu não faria menos do que isso, meu amor. Kelly não perdeu a chance de brincar: — Aaaah, meu Deus, eu tenho o Dominic Toretto versão 2, é? E a sala explodiu em gargalhadas, enquanto o filme seguia com toda aquela adrenalina e emoção. No meio do filme, chegou a cena em que o Rob aparece e a assistente dele pergunta: — “Eles são bons?” Os caras da turma começaram a analisar — “Só pelo som do carro que eles ouviram , já dá pra saber do onde era o motor e várias outras coisas." Otávio completou, todo empolgado: — “É, os caras são brabos mesmo, na moral.” E todo mundo ficou ali, vibrando com a cena, já imaginando o que ia rolar na sequência. Na parte final do filme com o churrasco, a galera estava toda reunida quando o Robs chegou acompanhado da Helena uma loira brasileira linda, e Letty, a morena latina igualmente deslumbrante, ficaram frente a frente. As duas se encaravam e trocavam palavras. Letty, com um sorriso sincero, agradeceu a Helena: — “Obrigada por ter cuidado do Dom.” Theje e Roman, de canto, cochicharam juntos: — “Beleza de saia justa, hein?” João, imitando o jeito dos dois, falou com Leandro: — “Beleza de saia justa!” Renata, entrando na brincadeira, virou para João e disse: — “É mesmo, seu João?” E Luiza fez a mesma pergunta para Leandro: — “Beleza de saia justa, é?” A galera inteira caiu na gargalhada. Kelly, entre risadas, avisou: — “João, Leandro, se eu fosse vocês, ficaria caladinho... Vai se ferrar!” Todos riram ainda mais. Otávio, com aquele jeito maroto, disse: — “É, cara faz que nem eu.” Kelly logo rebateu: — “Faz que nem você? Como assim, Otávio? Não te entendi.” Ele agarrou ela de leve e brincou: — “Tô zuando, minha ciumenta. Você dá dez a zero nelas.” E aí os outros simplesmente se acabaram de rir, a zoeira e o clima de amizade durante o filme.
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