Pré-visualização gratuita O Colegial
Peguei minha bolsa, dei um beijo carinhoso na minha mãezinha e me despedi com o coração apertado. Ela sorriu daquele jeito que só as mães sabem sorrir, com os olhos cheios de amor e fé no futuro. Saí pela porta sentindo o vento da manhã bater no meu rosto. O céu estava claro, como se o dia soubesse que seria importante. Fui caminhando até o ponto de ônibus com uma mistura de ansiedade e alegria.
Depois de cerca de 30 minutos, lá estava eu, em frente à escola que me acompanhou durante tantos anos.
— Ah... o último ano, finalmente — murmurei pra mim mesma, sorrindo.
Era bom rever meus amigos, meus professores, meus cantinhos favoritos. A escola era quase como uma segunda casa.
Eu sou conhecida por ser a menina mais inteligente da sala. Na verdade, uma das mais inteligentes de toda a escola. E não vou mentir... eu adoro quando me chamam de “nerd gata”. Porque, sinceramente? É verdade.
De repente, senti mãos na minha cintura. Virei assustada e logo dei de cara com Amanda, minha melhor amiga.
— Tá achando que ia escapar de mim hoje? — ela disse com aquele sorrisão safado.
Amanda é o tipo de pessoa que ilumina qualquer ambiente. Ela é conhecida como a “nerd pegadora”. Faz os trabalhos dos meninos, dá aulas particulares, mas também não perde uma boa festa. E ah... as histórias dela sempre me fazem chorar de rir!
A escola parecia a mesma de sempre, com a sua rotina barulhenta e familiar. Mas havia algo diferente no ar. Alguns alunos novos circulavam pelos corredores. Novos rostos, novas histórias.
Quando entrei na sala, notei um garoto sentado bem de frente pra mesa da professora — justo no lugar onde eu e Amanda sempre sentávamos.
— Justo no nosso lugar! — Amanda reclamou, cruzando os braços com drama.
— Relaxa, amiga. A gente senta na fileira do meio hoje — respondi sorrindo.
Enquanto a professora falava sobre a matéria do dia, eu percebi que o garoto novo me olhava. Seus olhos encontraram os meus mais de uma vez. Eu tentava disfarçar, fingia que estava anotando, mas meu coração acelerava sem controle.
Amanda, sempre atenta, começou a me cutucar.
— Ihhh, olha só! Já arrumou uma paquera no primeiro dia. E até que é gatinho, viu?! — disse, rindo alto.
— Cala a boca, garota! — falei rindo, tentando esconder o sorriso bobo. — Mas... até que ele é mesmo. Meu Deus...
Nós duas gargalhamos feito adolescentes apaixonadas. Bem, era o que éramos, não é?
— Bom dia, nerd gata, apresente-se para os novos alunos! — disse a professora com um tom bem-humorado.
Levantei meio sem graça, mas com um sorriso sincero nos lábios.
— Oi, gente. Pra quem ainda não me conhece, meu nome é Kelly, mas o pessoal me chama de nerd gata — falei, tentando não corar.
Lá do fundo da sala, alguns meninos gritaram:
— Mas é gata mesmo! Pena que não dá moral pra ninguém!
Olhei de relance para o garoto novo... e ele estava sorrindo.
— Certa está ela! — respondeu a professora, rindo.
Logo depois, ela olhou pra Amanda:
— E você, nerd pegadora, sua vez!
Amanda se levantou toda animada.
— Bom dia, pessoal! Eu sou a Amanda, a famosa nerd pegadora!
A sala veio abaixo com os risos.
— Já estamos com saudades das aulas, gatinha! — gritou um dos meninos.
A professora não perdeu a chance de brincar:
— O que a nerd gata não faz... a pegadora faz!
Todos gargalharam. Amanda, claro, não perdeu a oportunidade de desfilar pela sala como se estivesse em uma passarela. Ela ama ser o centro das atenções!
Um por um, todos foram se apresentando. Até que chegou a vez do garoto novo. Ele se levantou, ajeitou a mochila no ombro e disse com um sorriso de canto de boca:
— Bom dia, pessoal. Eu sou o Otávio. Mas acho que vou ser conhecido aqui como o “bad boy nerd”.
A sala explodiu em risadas.
— Não vejo a hora de ver a nerd gata e o bad boy nerd juntos! — gritou alguém do fundo.
Senti meu rosto esquentar. Sorri meio sem graça. E, mais uma vez, ele estava me olhando.
Era um olhar calmo, firme, que parecia querer dizer algo... mas ainda guardava mistério.
A professora balançou a cabeça, rindo:
— Ai, ai... vocês são demais. Chega de apresentações! Vamos começar a aula de hoje.
E assim começou o último ano. O começo do fim. Ou talvez, o verdadeiro início de tudo.