Onde o Passado Arde

1223 Palavras

Lis não dormiu naquela noite. O peso das revelações, o gosto amargo da verdade entalada na garganta, e aquele nome — Dante — pulsando como uma ferida aberta em sua mente. Desde o tribunal, desde o momento em que o mundo passou a ver o que ela suportou sozinha, Lis sentia que algo dentro dela começava a ruir. Mas também a renascer. Ela se levantou da poltrona onde havia cochilado e caminhou até a janela do pequeno apartamento improvisado pelo jornalista que agora apoiava sua causa. A cidade dormia. Mas dentro dela, os gritos do passado ainda ardiam. — Você está bem? — perguntou Camila, a assistente jurídica, surgindo atrás dela com uma xícara de chá. Lis hesitou. “Bem” era uma palavra que não existia mais no seu vocabulário. — Não sei o que é isso. — Sua voz saiu baixa. — Mas dói. E ao

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