Logo, a estrada de terra levantava poeira sob os pneus do carro chegava. Ela vinha de longe. Vinha porque, depois da morte da avó que a criara, não havia mais ninguém no mundo que pudesse chamá-la pelo nome com tanto amor. Só restava uma pessoa. O pai. Alceu. A filha, que ele praticamente, só conhecia por telefone, estava agora a poucos metros da casa que nunca foi dela. Crescera ouvindo a voz dele, sempre distante, entre frases rápidas e promessas que nunca chegaram. Dizia que ia buscá-la, que um dia ela teria tudo o que era dela por direito. Mandava presentes caros pelo correio. Colares, sapatos, perfumes. Nunca comparecia em aniversários. Nem no velório da mãe dela. Mas agora, com a avó morta, ela veio. Queria entender quem era esse homem. O que restava da imagem construída por cha

