Eu ainda estava tentando engolir o que tinha acabado de acontecer no jantar quando o celular da Manuela vibrou sobre a mesa. O nome da Laura apareceu na tela, e o rosto da minha esposa se iluminou de um jeito automático, aquele sorriso educado que ela sempre tinha quando precisava sair de uma conversa no meio. — Amor, é a Laura… — ela disse, já se levantando. — Vou ali fora atender rapidinho, tá? Assenti com a cabeça, mas por dentro eu já estava longe. Muito longe. Vi Manuela caminhar até a área da piscina, falando animadamente ao telefone, gesticulando, completamente alheia ao clima pesado que tinha ficado entre mim e a Sophia depois do jantar. O som da voz dela foi ficando distante, abafado pelo barulho do vento e pelo nó que se formava no meu peito. Eu fiquei alguns segundos sentado

