Eu comecei a perceber que tinha algo errado quando minha rotina passou a girar em torno dos horários dela. No começo, eu fingia que não. Dizia pra mim mesmo que era coincidência, que eu apenas estava mais atento à casa, às pessoas que entravam e saíam, que isso era consequência do afastamento do trabalho, do tempo ocioso demais, da mente sem freio. Mentira. Eu sabia exatamente quando a Sophia saía. Sabia o som da porta. O horário aproximado. Sabia quando ela voltava, mesmo sem olhar o relógio. Ela estava diferente. Sempre com o celular na mão, a tela acendendo e apagando com notificações constantes. Sorrisos discretos, quase secretos. Conversas que cessavam no instante em que eu aparecia no mesmo ambiente. Ela passou a sair todas as noites — dizia que era para “respirar”, “ver gent

