A escuridão da sala me envolvia como um manto pesado, espesso o suficiente para abafar até os pensamentos. Só o fraco brilho da lua, filtrado pelas cortinas entreabertas, riscava o chão, desenhando sombras alongadas que pareciam dançar devagar. Eu estava sentado no sofá da sala, no escuro, as costas apoiadas no encosto frio, os dedos entrelaçados entre os joelhos. A tensão ainda pulsava em mim depois da discussão. Foi então que ouvi o rangido suave da porta do quarto de Sophia se abrindo. Não o barulho estridente de quando alguém sai apressado, mas aquele som quase imperceptível, como se os dobradiços estivessem sendo movidos com cuidado, como se quem saísse não quisesse ser notado. Meu corpo inteiro reagiu antes mesmo que a razão tivesse tempo de processar: a coluna se endireitou, os ded

