O Silêncio Aprende a Falar

1724 Palavras

Existem noites que não precisam ser barulhentas para serem inesquecíveis. Aquela era assim. O quarto estava envolto numa penumbra suave, iluminado apenas pela luz morna dos abajures e pelo reflexo distante da cidade que entrava pelas cortinas entreabertas. Não havia urgência em nenhum gesto. Tudo acontecia no tempo exato que precisava acontecer. Manuela estava diante de mim com uma calma que contrastava com a intensidade do que sentíamos. Não havia nervosismo. Não havia pressa. Havia presença. Eu toquei seu rosto com cuidado, como se estivesse tocando algo raro. Sua pele era quente sob meus dedos, e o olhar que ela me devolveu era firme, seguro — o olhar de uma mulher que sabe o que quer, mas que escolhe, conscientemente, estar ali. — Você está aqui — ela disse, baixinho. Não como um

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