Olhos Que Não Deveriam Olhar

970 Palavras

Nós comemos juntos na mesa grande da área externa, sob a sombra leve do fim de tarde. Manuela tinha preparado coisas simples — nada sofisticado, nada planejado demais — como se quisesse que aquele momento fosse só isso: simples. Família. Presença. Sophia falava bastante. Contava coisas da faculdade, histórias pequenas do dia a dia, comentários sobre lugares que queria conhecer. Manuela ouvia com atenção, sorria, interrompia às vezes para fazer perguntas, para se inteirar de detalhes que uma mãe sente falta quando a filha mora longe. Eu… eu estava ali. Presente fisicamente. Ausente por dentro. Respondia quando me perguntavam algo, sorria quando era esperado, mas minha cabeça parecia ocupada demais tentando manter ordem em algo que insistia em se embaralhar. Cada vez que Sophia falava, m

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