A casa foi silenciando aos poucos depois do jantar. Os pratos ficaram empilhados na pia, a luz da cozinha apagada, e aquele cansaço bom — misturado com um resto de tensão — começou a se espalhar pelo corpo. Manuela subiu primeiro, falando qualquer coisa sobre o dia seguinte, sobre como a Sophia parecia mais leve ali, sobre como estava feliz por finalmente ter a filha em casa por mais tempo. Eu respondi, participei, sorri. Mas por dentro ainda estava tentando organizar os próprios pensamentos, como quem arruma uma gaveta bagunçada no escuro. Quando fechei a porta do quarto, senti o alívio imediato daquele espaço que sempre foi nosso. Manuela tirou a roupa devagar, sem pressa, como quem não tem nada a provar. Vestiu uma camisola simples, dessas que já conheço cada dobra, cada movimento. S

