Eu fiquei alguns segundos parado ali na calçada, respirando fundo, sentindo o ar frio bater no rosto como se estivesse tentando me acordar de um pesadelo que eu mesmo tinha criado. Manuela me observava com atenção, como quem tenta ler algo que não está sendo dito. Ela se aproximou devagar. — Leo… Levantei o olhar. Ela tocou meu rosto com as duas mãos, aquele gesto tão dela, firme e carinhoso ao mesmo tempo. Os olhos estavam úmidos, mas o olhar era decidido. — Eu te amo — disse, sem rodeios. — Muito. Mais do que você imagina. Essas palavras me atravessaram como um soco e um abraço ao mesmo tempo. — Eu sinto muito por tudo — ela continuou. — Pelo que eu falei, pelo jeito que te tratei, por não ter te ouvido. Engoli em seco. — Eu também sinto muito — respondi, com a voz baixa. — Por

