Acordei antes do despertador. Não foi um despertar normal, desses leves, preguiçosos. Foi como se meu corpo tivesse sido puxado bruscamente para fora do sono, mesmo que meus olhos ainda insistissem em ficar fechados. A cabeça doía de um jeito estranho, não físico, mas pesado, como se estivesse cheia demais. Eu me mantive imóvel, respirando devagar. Manuela ainda dormia ao meu lado, deitada de lado, o rosto relaxado, o cabelo espalhado pelo travesseiro. O braço dela estava jogado sobre o meu peito, a perna encaixada na minha, como se, mesmo dormindo, ela precisasse me manter ali, ancorado. Aquilo apertou meu peito. A lembrança da noite anterior veio inteira, sem piedade. Não em imagens claras, mas em sensações: culpa, medo, arrependimento. Um nó no estômago tão forte que me fez engolir

