Eu passei a manhã inteira na cama. Não dormindo. Não descansando. Só… existindo. O café que a Manuela tinha trazido esfriou quase intacto na bandeja. Dei dois goles por educação, mais pra não levantar suspeitas do que por vontade. O estômago estava embrulhado demais para comida. A cabeça, então, parecia um campo minado. Cada vez que eu fechava os olhos, vinha a mesma sensação: arrependimento puro, cru, pesado. Não aquela culpa abstrata, distante — mas uma que senta no peito, aperta a garganta e te obriga a encarar quem você foi. Eu nunca me achei um homem fraco. Mas naquele dia, eu me senti exatamente isso. Levantei da cama só no começo da tarde. Tomei um banho longo, quase quente demais, como se a água pudesse levar embora o que estava grudado em mim. Fiquei parado debaixo do chuv

