Eu não sabia mais distinguir que horas eram. O quarto permanecia na mesma penumbra morna desde a noite anterior, como se o tempo tivesse decidido me poupar do movimento do mundo. As cortinas fechadas deixavam passar apenas um fio de luz cinzenta, tímida, incapaz de me acordar de verdade. Meu corpo estava inteiro ali, deitado, mas minha cabeça… minha cabeça estava em outro lugar. Em vários, na verdade. Em lembranças que eu não queria revisitar, em decisões que eu não podia desfazer, em culpas que eu não tinha coragem de nomear em voz alta. Traí minha esposa. Pensar isso não doía como uma facada, traição já era algo pesado. Só que eu fiz questão de piorar, quando traí minha esposa, com minha enteada. Isso era sujo. Doía como um peso constante no peito, uma pressão que não ia embora, nã

