O silêncio da casa durante a semana ainda me causava um certo estranhamento. Eu estava acostumado ao barulho do despertador antes do sol nascer, à pressa do café engolido em pé, ao peso simbólico do jaleco dobrado sobre a cadeira. Agora, nada disso existia. Eu já tinha pedido o afastamento. A decisão tinha sido menos dramática do que eu imaginei, mas muito mais pesada por dentro. A coordenação do hospital foi compreensiva. A clínica também. Usaram palavras como “necessário”, “importante”, “autocuidado”. Eu ouvi tudo com a cabeça baixa, concordando, enquanto pensava no quanto eu tinha demorado para admitir que precisava parar. Agora eu estava oficialmente fora. Sem plantões. Sem pacientes. Sem a falsa sensação de controle que o trabalho sempre me deu. O problema é que, quando o traba

