Eu permaneci ali. Sentado no sofá, imóvel, com o corpo inclinado para frente e os cotovelos apoiados nos joelhos, enquanto Manuela dormia profundamente ao meu lado, alheia a tudo o que tinha se passado dentro de mim naquela noite. A casa estava mergulhada num silêncio quase c***l. O relógio na parede marcava as horas com um tic-tac baixo, insistente, como se estivesse me lembrando de cada segundo que passava sem que eu conseguisse entender quem eu tinha sido minutos antes. Minha cabeça latejava. Não de dor física, mas de excesso de pensamentos. Eu não me orgulhava do que tinha acontecido no escritório. Muito pelo contrário. A sensação que ficava era de sujeira interna. Como se eu tivesse cruzado uma linha invisível que sempre acreditei ser intransponível. Não tinha sido um ato consci

