Decidir casar é uma coisa. Marcar a data é outra completamente diferente. Porque é ali que o sonho ganha calendário, horário, endereço. Deixa de ser um “um dia” e vira um dia específico, com contagem regressiva invisível acontecendo dentro do peito. Foi numa manhã de domingo que isso começou de verdade. Estávamos na mesa da cozinha da mansão, café espalhado, frutas cortadas, Manuela ainda de pijama de seda, cabelo preso de qualquer jeito, óculos apoiados na ponta do nariz enquanto mexia no tablet. Eu folheava uma agenda física — velho hábito — tentando conciliar datas de plantão, reuniões da Duarte Segurança Integrada e compromissos que já estavam marcados há meses. — Se a gente não escolher logo, vai acabar casando em dois anos — ela comentou, sem tirar os olhos da tela. — Dois anos

