A tarde estava abafada, daquelas em que o ar parece pesado demais até pra respirar. Eu voltava do hospital depois de uma reunião interminável, o trânsito da cidade se arrastando como uma fila de formigas cansadas. O som dos motores, as buzinas espaçadas, o reflexo do sol nos vidros — tudo formava uma sinfonia caótica e previsível. O rádio tocava baixo, apenas ruído de fundo para meus pensamentos dispersos. Não pensava em nada específico, mas também não estava totalmente ali. Os dias vinham sendo longos, repetitivos, e o silêncio dentro de mim se tornava mais incômodo. Mesmo tentando evitar, a lembrança dela ainda me visitava nas horas mais improváveis. Manuela Vasconcelos. A imagem dela no vestido vermelho, o riso leve, o perfume sutil — tudo aparecia de repente, como uma nota perd

