O café ficava a poucas quadras dali, um refúgio discreto entre árvores e vitrines iluminadas. Era o tipo de lugar que passaria despercebido por qualquer um distraído, mas que eu costumava visitar quando precisava respirar longe do barulho do mundo. Lá dentro, o som era de porcelanas, vozes baixas e música de piano ao fundo — uma pausa elegante no caos da cidade. Manuela sentou-se à minha frente, ainda um pouco trêmula. O garçom trouxe dois cafés, e o cheiro forte do grão recém-moído preencheu o ar. Ela manteve as mãos unidas sobre a mesa, os dedos inquietos, como se ainda tentassem se segurar em algo invisível. — Desculpe — disse, finalmente. — Eu não devia ter aceitado vir. — Eu insisti — respondi, calmo. — E, pelo que vi, você precisava parar um pouco. Ela assentiu, sem me encara

