Cartas

792 Palavras

A quarta-feira começou igual a todas as outras: pacientes, prontuários, relatórios. O tipo de dia que passa sem deixar marcas, com o mesmo roteiro de sempre — até o imprevisto decidir me visitar de novo. Marta entrou no consultório segurando uma caixa envolta em papel azul escuro e uma fita prateada. — Doutor Duarte, isso chegou pra o senhor — disse, pousando o pacote sobre a mesa com um sorriso curioso. — Foi entregue por um motoboy há pouco. — Quem enviou? — Não tinha remetente na etiqueta, só um cartão dentro. Agradeci, esperando que fosse algo corporativo — uma lembrança de fornecedor, talvez. Mas, ao abrir, percebi o cuidado. O perfume suave de lavanda, o embrulho dobrado com perfeição, o toque pessoal que não pertence a empresas. Dentro, uma garrafa de vinho tinto — francês,

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