Manuela

1141 Palavras

A música agora era apenas um eco distante, uma melodia suave que servia de moldura para o silêncio confortável que se formava entre nós. O salão, antes repleto de vozes e aplausos, começava a se esvaziar. Pares elegantes caminhavam em direção à saída, garçons recolhiam taças e guardanapos de linho, e o relógio marcava uma hora em que o mundo lá fora já dormia. Mas ali, diante do balcão de madeira escura, o tempo parecia suspenso. Manuela girava lentamente o copo nas mãos, observando o líquido dourado como se estudasse o reflexo das luzes. — Engraçado — disse ela, após um breve silêncio. — Eu venho a esses eventos há anos, e nunca reparei em quanto eles são… repetitivos. — O altruísmo também tem suas rotinas — respondi. — Cada gala tem seu público fiel, seu discurso e suas taças de ch

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