Estacionei o carro alguns metros antes da casa dela. Não foi falta de vaga. Foi necessidade de respirar. A rua era silenciosa, arborizada, daquelas que parecem escolhidas a dedo por quem gosta de discrição, um condomínio muito bonito, as casas não tinham portão, ali ninguém temia nada, tinham seguranças em toda parte. As luzes amareladas dos postes desenhavam sombras suaves no asfalto, e as fachadas das casas tinham aquele ar de sofisticação que não grita riqueza — apenas a sugere. Olhei o número mais uma vez no celular, mesmo já sabendo que estava certo. Era ali. Desci do carro devagar, segurando a garrafa de vinho com cuidado, como se ela fosse parte de um ritual. Ajustei a camisa, respirei fundo e caminhei até o portão. Antes de tocar a campainha, parei. Aquela pausa… Aquele segu

