O sol nascia preguiçoso por trás dos barracos do Chapadão, tingindo o céu com um laranja turvo, quase sujo de fumaça. A.S. estava acordado há horas. Não dormira. Desde o último confronto, o morro parecia um barril de pólvora, e ele sabia que bastava uma faísca para tudo explodir de novo. Encostado na grade enferrujada de sua varanda, tragava um cigarro, observando o vai e vem dos becos. Homens armados circulavam atentos, mulheres lavavam roupas nos tanques improvisados, crianças corriam descalças como se o perigo fosse parte do cotidiano. Era. Zóio apareceu, o rosto cansado. — Chefe… os caras do outro lado tão se movimentando. Falaram que viram uns desconhecidos rondando a entrada de cima. A.S. jogou o cigarro fora e franziu o cenho. — De onde? — Ninguém sabe. Mas não é da gente. Tão

