O som dos helicópteros cortava o céu do Chapadão como lâminas afiadas. O barulho ecoava pelos becos estreitos, misturado ao estalo seco dos tiros e aos gritos de desespero que vinham das vielas. Luzes vermelhas e azuis piscavam sobre o morro, refletindo na lama e no sangue que manchavam o chão. Alex Silveira — o temido A.S. — encostou-se num muro úmido, o fuzil pendendo do ombro, o peito arfando. Estava sujo de sangue, mas não sabia se era o dele ou dos outros. O olhar duro, acostumado à guerra, vacilava pela primeira vez. — Desce pro beco de trás! — gritou Rato, seu braço direito, surgindo entre as sombras. — Os caveira tão fechando o cerco, chefe! A.S. não respondeu. Olhou para o alto do morro, onde as luzes das casas piscavam feito corações aflitos. No meio da fumaça e da chuva, o pe

