A Promessa e o Cárcere

1455 Palavras

O amanhecer sobre o morro parecia uma ferida aberta. A chuva cessara, mas o chão ainda brilhava com a mistura de sangue e água. O som dos helicópteros havia desaparecido, deixando apenas o eco distante das sirenes. O fogo nos becos se apagava aos poucos, mas o cheiro de pólvora ainda impregnava o ar, denso, sufocante. Bela acordou com o corpo pesado, o rosto colado ao lençol úmido de lágrimas. A noite anterior voltava em flashes — o túnel, o tiroteio, o sangue, o olhar de Alex sendo levado algemado sob a chuva. O coração dela parecia bater em outro ritmo, um compasso lento, quase quebrado. Dona Cida entrou no quarto com um café preto fumegante. — Força, minha filha. — disse, com a voz mansa. — O sol nasceu. — Mas ele não. — respondeu Bela, a voz embargada. A velha suspirou. — Falam q

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