O amanhecer chegou sem paz. O morro do Chapadão ainda cheirava a pólvora, o chão manchado de sangue e silêncio. A.S. estava de pé na varanda, observando o horizonte. O cigarro queimava devagar entre os dedos, e o olhar perdido denunciava o peso de mais uma noite de guerra. Bela acordou sozinha. O lugar ao lado dela na cama ainda estava quente, o que significava que ele não havia dormido. Vestiu a camiseta dele, respirando fundo o cheiro que misturava suor, fumaça e poder. Desceu as escadas e o encontrou ali — a postura rígida, os olhos fixos no nada. — Não dormiu, né? — perguntou ela, se aproximando. — Não dá pra dormir quando tem cobra dentro do ninho. — respondeu ele, sem olhar. Ela se calou. Sabia que aquela frase era um aviso: o traidor estava perto. — Já sabe quem é? — perguntou

