Betina Ferrarini A segunda-feira começou pesando mais do que deveria. A prova de anatomia foi um pesadelo, e a manhã parecia um teste de paciência. Eu estava mentalmente exausta, com o cérebro sobrecarregado de termos e detalhes que pareciam não se conectar. Depois do último alerta do professor, fui me arrastar até o refeitório, esperando pelo almoço, e a companhia de sempre: os meninos. Porém, ao invés deles, só o Miguel apareceu. Ele chegou com aquele sorriso de sempre, cumprimentou a Carol com um selinho e se sentou à minha frente, ainda sem o Rafa. Olhei para os lados, tentando entender. — E o Rafa? — Perguntei, tentando esconder a preocupação na voz. — Ah, ele foi almoçar em casa hoje. — Miguel deu de ombros, tomando um gole da sua Coca-Cola. — Estranho… ele sempre prefere almoç

