Isadora Narrando Perdi o fôlego assim que pisei no chão batido do baile. É minha primeira vez assim e o som não vinha só das caixas, vinha do peito das pessoas, do chão vibrando, do ar quente que grudava na pele. Luzes cortavam a escuridão como lâminas coloridas, e o cheiro de suor, bebida e liberdade se misturava num caos hipnótico. Meu coração batia no ritmo do grave, descompassado, curioso, vivo. Carlos estava atrás de mim, mas não distante. A mão dele firme na minha cintura, pesada, segura, como se dissesse sem palavras: é comigo. O polegar pressionava minha pele por cima do tecido fino do vestido, e aquilo me deu um arrepio que correu a espinha inteira. Na outra mão, eu vi. A arma. Engatilhada. O dedo no gatilho. Não era ameaça; era aviso. Carlos não precisava provar nada. A presen

