bc

Cão de Raça - Entre o Amor e o Ódio

book_age18+
286
SEGUIR
3.3K
LER
vingança
proibido
família
HE
escapar durante a gravidez
amor depois do casamento
sistema
diferença etária
os opostos se atraem
amigos para amantes
padrasto
bandido
colarinho azul
doce
alegre
sérieux
patada
cidade
paixões infantis
like
intro-logo
Sinopse

Sinopse:Carlos sempre soube que um dia teria que tomar de volta aquilo que era seu por direito. O comando do morro, usurpado por traição, voltou pra suas mãos depois de anos de luta, estratégia e a força dos poucos que realmente eram leais. Mas carregar uma coroa feita de sangue e pólvora nunca foi simples, junto com o trono vieram aliados duvidosos, falsos amigos e inimigos silenciosos esperando o primeiro vacilo.O que Carlos não esperava era que, no meio do caos, surgisse ela.Isadora. Linda, sorriso largo, mas com um olhar que escondia segredos capazes de derrubar qualquer império. Misteriosa, intensa, impossível de ignorar. Ele deveria mantê-la longe, deveria desconfiar, mas o coração dele não obedece ordens.Entre o amor que ele nunca procurou e o ódio que sempre o guiou, Carlos vai descobrir que a maior guerra não está nas ruas, está dentro dele. E Isadora pode ser tanto a cura quanto a perdição do seu reinado.

chap-preview
Pré-visualização gratuita
01- Cão de raça
PRÓLOGO — CÃO DE RAÇA Madrugada é meu horário. Sempre foi. Quando o morro cala a boca e só quem manda de verdade fica acordado. É quando o silêncio pesa, quando os sons ficam mais claros, quando qualquer erro custa caro. Eu aprendi cedo que quem dorme demais aqui em cima não dura muito. Eu tava largado na cama, olho fechado, corpo pesado, mas a mente ligada como sempre. Rádio baixo no criado-mudo, aquele chiado constante que já virou parte de mim. Não dá pra desligar nunca. Quem manda não desliga. Só finge descansar. Quando o rádio estoura do nada, rasgando o silêncio da madrugada, meu corpo já reage antes mesmo da cabeça. — Cão, deu mërda aqui em baixo. BO pesado com moradora nova. Soltei o ar devagar pelo nariz, sentindo a paciência escorrer igual água entre os dedos. Mërda de madrugada nunca vem pequena. Sempre vem com nome, sangue e consequência. — Que pörra de BO é esse? — rosnei, a voz grossa de sono e ódio. — Por que ninguém resolve essa mërda sem me chamar? Eu não virei dono do morro pra ser despertador de macho frouxo. Cada um ali sabe exatamente o que pode e o que não pode fazer. Ou pelo menos deveria saber. Do outro lado, a voz veio meio tensa, daquelas que já entregam que a situação saiu do controle. — O marido dela tá surtado. Tentando tirar a mulher à força do morro. Tá fazendo escândalo. Fechei os olhos com força. Passei a mão no rosto, sentindo a barba arramhar. Marido valentão de madrugada, receita clássica de tragédia. Daquelas que, se não corta rápido, vira incêndio. — Já tô chegando. — falei seco, sem paciência pra drama. — E espero que esse filha da Püta ainda esteja respirando quando eu pisar aí. Desliguei antes de ouvir resposta. Joguei o corpo pra fora da cama, vesti a roupa na pressa, peguei a arma e saí. O corredor da casa parecia mais estreito naquela hora. O peso da responsabilidade nunca dorme comigo, mas naquela madrugada ele veio dobrado. Quando cheguei, a cena era pior do que eu imaginei. A iluminação fraca dos postes improvisados deixava tudo mais feio. Meus homens seguravam um cara grande, cheio de marra, camisa rasgada, peito inflado, babando ódio, tentando se soltar como bicho acuado. Olho arregalado, veia saltada no pescoço, aquele tipo que confunde força com brutalidade. — Me solta, pörra! Ela é minha mulher. Eu faço o que eu quiser com ela. O grito ecoava feio, sujo, carregado de uma certeza nojenta. Meu estômago revirou. Virei o rosto procurando a mulher, e foi aí que tudo mudou. Ela tava encostada na parede, meio abaixada, como quem tenta ocupar menos espaço no mundo. Segurava uma criança no colo com os dois braços, protegendo como se o corpo dela fosse o único escudo possível. Morena. Linda de um jeito que não combina com sofrimento. O rosto machucado denunciava a história sem precisar de palavra nenhuma. Canto da boca roxo, marca vermelha no braço, dedo tremendo de leve. O menino agarrado nela, chorando baixinho, escondendo o rosto no pescoço da mãe, como se ali fosse o único lugar seguro do planeta. Meu peito apertou de um jeito estranho. Diferente. Forte. Um aperto que não vinha de medo nem de raiva. Meu coração acelerou sem pedir licença. Descompassado. Errado. E isso nunca acontece comigo. Eu controlo tudo. Sempre controlei. Ela levantou o olhar devagar, como quem já apanhou tanto da vida que aprendeu a medir cada movimento. Quando nossos olhos se encontraram, o mundo deu uma freada brusca. Não tinha medo ali. Tinha dor, tinha cansaço, mas também tinha uma força silenciosa que me pegou completamente desprevenido. — Que mërda é essa aqui? — perguntei, com a voz fria, cortando o ar. O cara se agitou mais ainda, se sentindo desafiado. — Essa vagabünda quer ficar nesse inferno. Eu vim buscar minha mulher e meu filho. A palavra vagabünda ecoou mais alto do que deveria. Antes que eu abrisse a boca, ela falou. Baixo, sem gritar, mas firme como quem já decidiu não abaixar mais a cabeça. — Ele me bateu. — disse, sem chorar. — Tentou me arrastar pra fora do morro à força. Acordou meu filho gritando. Olhei pro machucado de novo. Depois pro menino, pequeno demais pra entender qualquer coisa daquilo. Depois voltei meu olhar pra ele. O sangue subiu quente. Denso. Pesado. — Tu bate em mulher? — perguntei, chegando mais perto, sentindo o cheiro de álcool e covardia vindo dele. — É minha mulher! — ele cuspiu no chão. — Não se mete. Foi aí que eu senti algo quebrar dentro de mim. Algo velho. Algo que eu nem sabia que ainda existia. Uma linha invisível sendo cruzada. — Aqui quem manda sou eu. — falei baixo, perigoso. — E ninguém encosta numa mulher desse jeito no meu morro. Fiz um sinal curto com a mão. — Acaba com a valentia dele. Não precisei repetir. Os caras arrastaram ele alguns metros. O desespero veio rápido. Ele ainda tentou gritar, mas o primeiro tiro o calou para sempre. Quando ele já não parecia mais tão macho assim, só um corpo jogado no chão, falei sem emoção nenhuma: — Depois joga esse lixo em qualquer matagal. Voltei pra ela. A mulher que, sem saber, tinha acabado de bagunçar tudo dentro de mim. Cheguei perto e estendi a mão. — Vem. Ela me olhou desconfiada por um segundo. Um segundo longo. Depois segurou minha mão e se levantou, mantendo o filho firme no outro braço. A mão dela tremia um pouco. A minha, pela primeira vez em anos, também. Um choque subiu pelo meu braço inteiro. Calor. Tensão. Um tipo de conexão que não fazia sentido nenhum. Pörra, tranquilamente tem idade pra ser minha filha. E mesmo assim, meu coração batia errado, fora do ritmo, como se tivesse desaprendido a função. — Vai pro teu barraco. — falei, tentando manter a voz firme. — Ninguém mais vai te encostar um dedo. Aqui tu tá protegida. — Obrigada. — ela murmurou, quase sem voz. Assenti. Não consegui dizer mais nada. Não era hora. Talvez nunca fosse. Ela virou e saiu, andando devagar, protegendo o filho como se o mundo inteiro fosse uma ameaça pronta pra atacar. Fiquei olhando até ela sumir na viela, o corpo pequeno desaparecendo no labirinto do morro. — Cão. — um dos caras chamou atrás de mim. — Tudo resolvido. — Some da minha frente. Voltei pra casa com a cabeça longe. O caminho parecia mais comprido. Deitei na cama, rádio desligado, teto me encarando no escuro. O morro seguia vivo lá fora, pulsando, respirando perigo. Mas dentro de mim tinha alguma coisa errada, fora do lugar. A imagem dela machucada, protegendo o filho, a mão pequena na minha, não saía da cabeça. Repetia como filme ruïm. Eu não perco sono por guerra. Nem por ameaça. Nem por traição. Mas naquela madrugada, perdi o sono por causa da mulher de um homem morto-vivo. E ali, no escuro, eu soube: aquela moradora nova não era só um problema. Era a guerra mais perigosa que eu já tinha comprado. E eu ainda nem sabia o nome dela, e nem como ela veio parar aqui.

editor-pick
Dreame-Escolha do editor

bc

Primeira da Classe

read
14.1K
bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
4.3K
bc

Amor Proibido

read
5.4K
bc

De natal um vizinho

read
13.9K
bc

O Lobo Quebrado

read
122.0K
bc

Sanguinem

read
4.3K
bc

Meu jogador

read
3.3K

Digitalize para baixar o aplicativo

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook