Isadora Narrando Fui levada para um prédio frio, daqueles que parecem sugar qualquer resto de esperança que a gente ainda tenta segurar. Fórum, vara da infância, assistente social, psicólogo, um monte de nome difícil pra um lugar onde mãe entra já sendo julgada. Eu estava com o Miguel no colo, agarrado em mim como se sentisse que algo muito errado estava acontecendo. O cheirinho dele no meu pescoço era a única coisa que me mantinha em pé. Ainda bem que consegui dar mamar para ele no Carro, porque não faço ideia de que horas vamos sair daqui. Sentaram a gente numa sala branca, mesa grande, cadeiras duras. Um homem começou a falar comigo num tom sério demais pra quem tá falando de uma criança de um ano. — Senhora Isadora, vamos começar seu depoimento sobre o pedido de guarda do menor Mi

