Isadora Narrando Entramos na casa dos amigos do Carlos e logo na entrada eu senti aquele clima diferente, pesado, mas ao mesmo tempo organizado. Nada ali era por acaso. Entregamos o presente e o aniversariante veio correndo, parou na frente do Carlos e pediu a bênção com respeito. Aquilo me tocou de um jeito estranho e bonito ao mesmo tempo. Carlos colocou a mão na cabeça do menino, falou algumas palavras baixinho e bagunçou o cabelo dele. Eu sorri sem perceber. Seguimos para uma área maior da casa, aberta, com mesas espalhadas, música ambiente e muita gente reunida. Bastou olhar em volta pra entender que todos ali eram envolvidos de alguma forma. Não era algo explícito, era postura, jeito de falar, olhar atento demais. Carlos me apresentou com calma, uma mão firme na minha cintura. —

