Isadora Narrando O Carlos não dormiu a noite inteira. E, por tabela, eu também não consegui dormir direito. Toda vez que eu me mexia na cama, ele tava lá, imóvel, os olhos arregalados e vidrados no teto, como se estivesse assistindo a um filme que só ele via. Aquilo me apertou o peito. Me aproximei mais, abracei ele, encaixei meu corpo no dele e comecei a fazer carinho devagar, passando a mão no peito, no braço, tentando acalmar. Se fosse o Miguel daquele jeito, acordado e inquieto, não aguentava segundos, capotava. Mas ali do meu lado não era uma criança. Era um homem. Um homem carregado de mágoas, feridas antigas, decisões erradas, perdas e uma história pesada demais pra ser desligada só apagando a luz. Eu senti isso no jeito que ele respirava, curto, contido, como quem não quer dormi

