CAPÍTULO 5

1594 Palavras
Alícia Craig! Abro os meus olhos e vejo tudo escuro lá fora. Minha mente aos poucos vai recobrando o sentido e vou me lembrando aos poucos de tudo que aconteceu. Caramba! Estou toda dolorida. Quando eu pedi pra ir ao shopping, tinha quase certeza de que a resposta seria não. Porém, eu pude ir. Não só pude ir, como ainda pude fazer umas comprinhas. Comprei perfumes, maquiagem, dois pares de brincos e alguns vestidos. Voltei pra casa toda empolgada, por ter conhecido tantas coisas legais. Me surpreendi quando vi Lucca na cozinha, há 8 dias que ele não vinha pra casa, já estava acostumada sem ele aqui. E de repente ele estava me fazendo sua mais uma vez… Devo confessar que ele faz um excelente trabalho, tanto com a boca, quanto com a mão. Balanço a cabeça, decidida a afastar esses pensamentos loucos. Decido levantar, estou com fome. Vou até o closet, pego um babydoll e um robe, me visto e vou à cozinha. Estou pegando um pedaço de bolo, quando escuto ele falar. — Muita fome? Me viro para encará-lo. — Um pouco, passei a tarde na rua. — Ele se aproxima. — Sim, to sabendo. — Tenho que me controlar, para não revirar os olhos para ele. — Aliás, obrigada por me deixar ir ao shopping, adorei conhecer. — Falo com sinceridade. — Não precisa me agradecer. — Ele dá de ombros. — Quero te convidar pra ir a uma das minhas boates hoje, ta afim? Encaro Lucca, sem conseguir acreditar que ele realmente está me fazendo esse convite. Vejo que ele me encara, com uma das sobrancelhas erguidas e só então, percebo que o estou encarando por tempo demais. — Dançar? Lógico! — Decido responder, antes que ele retire o convite. — Gosta de dançar? — Ele parece surpreso com esta informação. — Quando não se pode ir a lugar nenhum, tudo que ocupa a mente, faz bem. — Dou de ombros, pegando mais um pedaço de bolo e levando a boca. — Eu tive uma professora de dança. — Esteja pronta às vinte e duas horas. — Ele começa a se afastar, mas antes de chegar a porta, para e volta a me olhar. — Sem atrasos. Vejo ele sair e abro um sorriso, antes de terminar meu bolo e voltar para o quarto. Hoje pelo visto, Lucca está de bom humor, está me deixando sair duas vezes no mesmo dia. Tomo um banho e depois de analisar todas as minhas coisas, decido usar os cremes e perfumes que comprei, passo a maquiagem, básica, afinal não sei me maquiar muito bem. Escolho um dos vestidos que comprei hoje também, com alças finas e justo, que vai até meio da coxa, todo preto, nos pés uso um salto quinze. Me olho no espelho e gosto do resultado. Estou dois minutos atrasada, então antes de acabar com o humor de Lucca, apenas pego uma pequena bolsa e decido descer. — Você precisa aprender que eu não tolero atrasos. — É a primeira coisa que ele diz, assim que me chegar na sala. Reviro os olhos. — Não estou atrasada. — Respondo, parando a uma boa distância dele. — São apenas dois minutos. — Dois minutos, não é o horário. E não revire os olhos para mim, — Se aproxima devagar, fazendo que eu recue um passo. — Isso é falta de educação. — Atrasos tem cinco minutos de tolerância. — Falo, antes que eu perceba. — Se eu já não tivesse dito que iria a boate hoje, ficaria aqui e ensinaria essa boquinha atrevida a ficar mais caladinha. — Diz enquanto se aproxima e passa o polegar nos meus lábios, meu corpo responde de imediato. — Então vamos indo. — Me apresso em dizer. — Já que não podemos atrasar. Começo a sair de perto dele e caminho até a porta, antes que ele mude de ideia e não queira mais ir em lugar algum. — Espero não precisar matar ninguém hoje. — Ele fala e eu paro no lugar. — Por quê? — Pergunto sem entender. — Porque não quero ninguém bancando o bobo pra cima do que é meu. Ele pega a minha mão e em silêncio vamos à boate. [...] Chegando na boate, a beleza e o tamanho do lugar me surpreendem. — É sua? — Pergunto sem perceber e só me dou conta, quando ele me responde. — Sou um dos sócios. Ele me puxa entre as pessoas e me leva por uma porta lateral que entramos sem precisar passar por aquela fila gigante. O interior é ainda maior, está lotado de pessoas, a maioria jovens. — Vamos subir. — Lucca fala alto pra mim ouvir, com toda essa música. Sem soltar a minha mão, vamos subindo até o que parece ser a área vip do lugar, onde tem bastante pessoas, mas nem se compara ao que tem lá embaixo. — Lucca, quanto tempo! — Um homem de uns quarenta e poucos anos vem e comprimentá-lo. — Como vai Pedro? — Estava mesmo falando ao Nicholas, balada, bebidas e mulheres não são o mesmo sem o grande Lucca. Tenho que segurar a enorme vontade de revirar os olhos. Parece até que o homem que está olhando para mim, nem mesmo me viu, para fazer um comentário tão i****a como esse. — Oi Alícia, até que enfim te vejo aqui na Itália. — Nicholas vem me cumprimentar. Ele me abraça e logo se afasta, antes de eu ouvir o i****a falar. — Alícia é o nome dessa moça bonita? — Seu sorriso amarelo me causa ânsia. — Muito prazer Alícia. — Diz Pedro pegando minha mão e dando um beijo. Eu retiro minha mão o mais rápido possível, ele me olha com um olhar divertido. Sinto a mão de Lucca apertar a minha. — Acho melhor você parar de dar em cima da minha esposa, Pedro. — Lucca fala pra ele com cara de poucos amigos. Seu tom de voz está normal, mas só um i****a não veria a morte desenhada em sua cara. — Ora, ora, não sabia que você tinha se amarrado. Nem me convidou para o casamento. — Foi algo rápido, não deu tempo pra chamar todo mundo. — Entendo. Pedro responde apenas isso e vamos nos sentar. Lucca senta ao meu lado e me puxa mais pra perto dele, com uma mão que fica brincando em meu ombro. Um garçom chega e começa a nos servir, ele me olha e sorri. — Penso che faresti meglio a smetterla di sorridere a mia moglie se vuoi andartene vivo da qui. (Acho melhor parar de sorrir pra minha esposa, se quer sair vivo daqui) — Lucca fala algo pro rapaz, que sai assustado quase correndo. Faço uma anotação mental, preciso estudar Italiano, urgente. — Quer beber alguma coisa? — Lucca me pergunta. — Champanhe. — Vi que tinha na mesa logo à nossa frente. — Ok. — Ele me serve uma taça. — Nunca havia tomado. — Confesso pra ele. — Eu sei. — Ele me responde e eu reviro os olhos. — Vou te castigar da próxima vez que me revirar os olhos. — O que você está bebendo? — Mudo de assunto, tentando manter minha voz calma. — Uísque. — Lucca me responde, com o lábio mostrando um sorriso de lado. — Mas não vou deixar você beber, não hoje. — Eu nem ia pedir. — Sei. — Ele fala, me olhando divertido. [...] Depois de três taças de champanhe, eu pedi água. Não quero passar dos limites na nossa primeira saída juntos. — Já está bêbada Alícia? Que rápido. — Nicholas me fala com uma risada, ele está abraçado com uma loira, que está grudada no seu pescoço como um carrapato, enquanto a mão de Nicholas sobe pela sua coxa, por baixo do vestido. — Nem de bola, Nicholas é assim mesmo. — Lucca sabe pra onde estou olhando e me fala. — Não queria ter olhado, desculpe. — Tudo bem. Quer dançar? — Quero. — Respondo de imediato. — Vai lá. — Sorri com minha empolgação. — Aproveite, só não exagere, não quero matar ninguém. — Não precisa matar ninguém. Me jogo na pista, vou me movendo conforme a música. Olho na direção da área vip e vejo uma loira conversando com Lucca ao pé do ouvido. Ele me encara, mas continua falando com a loira. Fecho os meus olhos, sinto a música e deixo meu corpo se mover. Sinto uma mão na minha cintura, abro os olhos ao ouvir uma voz estranha. — Che bella cosa ballare. (Que coisa mais linda dançando). — Me solta. — Grito e tento sair do seu aperto. — Non credo tu abbia sentito la ragazza. (Acho que você não ouviu a moça) A voz de Lucca me assusta. Está tomada de raiva, arrisco olhar nos seus olhos, e me arrependo… — Stiamo ballando. — O i****a fala sem me largar. — Togli la tua cazzo di mano da mia moglie. (Tire a p***a da sua mão, da minha esposa). Não sei o que Lucca falou, mas sei que fez efeito. O homem me soltou e eu corri pro lado de Lucca. Ele me pegou pelo braço e saiu me arrastando. Eu só não caí, porque o aperto dele era forte. Ele subiu uma escada, pegou uma chave no bolso e abriu uma porta. Estou ferrada. Ferrada. Penso comigo mesma, ao olhar pra dentro do que me parece ser seu escritório. Ele me puxa pra dentro e me joga com toda força no sofá que tem ali.
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