Alícia Craig!
Abro os meus olhos e vejo tudo escuro lá fora. Minha mente aos poucos vai recobrando o sentido e vou me lembrando aos poucos de tudo que aconteceu.
Caramba! Estou toda dolorida.
Quando eu pedi pra ir ao shopping, tinha quase certeza de que a resposta seria não. Porém, eu pude ir. Não só pude ir, como ainda pude fazer umas comprinhas.
Comprei perfumes, maquiagem, dois pares de brincos e alguns vestidos.
Voltei pra casa toda empolgada, por ter conhecido tantas coisas legais. Me surpreendi quando vi Lucca na cozinha, há 8 dias que ele não vinha pra casa, já estava acostumada sem ele aqui.
E de repente ele estava me fazendo sua mais uma vez…
Devo confessar que ele faz um excelente trabalho, tanto com a boca, quanto com a mão.
Balanço a cabeça, decidida a afastar esses pensamentos loucos.
Decido levantar, estou com fome. Vou até o closet, pego um babydoll e um robe, me visto e vou à cozinha.
Estou pegando um pedaço de bolo, quando escuto ele falar.
— Muita fome?
Me viro para encará-lo.
— Um pouco, passei a tarde na rua. — Ele se aproxima.
— Sim, to sabendo. — Tenho que me controlar, para não revirar os olhos para ele.
— Aliás, obrigada por me deixar ir ao shopping, adorei conhecer. — Falo com sinceridade.
— Não precisa me agradecer. — Ele dá de ombros. — Quero te convidar pra ir a uma das minhas boates hoje, ta afim?
Encaro Lucca, sem conseguir acreditar que ele realmente está me fazendo esse convite. Vejo que ele me encara, com uma das sobrancelhas erguidas e só então, percebo que o estou encarando por tempo demais.
— Dançar? Lógico! — Decido responder, antes que ele retire o convite.
— Gosta de dançar? — Ele parece surpreso com esta informação.
— Quando não se pode ir a lugar nenhum, tudo que ocupa a mente, faz bem. — Dou de ombros, pegando mais um pedaço de bolo e levando a boca. — Eu tive uma professora de dança.
— Esteja pronta às vinte e duas horas. — Ele começa a se afastar, mas antes de chegar a porta, para e volta a me olhar. — Sem atrasos.
Vejo ele sair e abro um sorriso, antes de terminar meu bolo e voltar para o quarto. Hoje pelo visto, Lucca está de bom humor, está me deixando sair duas vezes no mesmo dia.
Tomo um banho e depois de analisar todas as minhas coisas, decido usar os cremes e perfumes que comprei, passo a maquiagem, básica, afinal não sei me maquiar muito bem. Escolho um dos vestidos que comprei hoje também, com alças finas e justo, que vai até meio da coxa, todo preto, nos pés uso um salto quinze.
Me olho no espelho e gosto do resultado. Estou dois minutos atrasada, então antes de acabar com o humor de Lucca, apenas pego uma pequena bolsa e decido descer.
— Você precisa aprender que eu não tolero atrasos. — É a primeira coisa que ele diz, assim que me chegar na sala.
Reviro os olhos.
— Não estou atrasada. — Respondo, parando a uma boa distância dele. — São apenas dois minutos.
— Dois minutos, não é o horário. E não revire os olhos para mim, — Se aproxima devagar, fazendo que eu recue um passo. — Isso é falta de educação.
— Atrasos tem cinco minutos de tolerância. — Falo, antes que eu perceba.
— Se eu já não tivesse dito que iria a boate hoje, ficaria aqui e ensinaria essa boquinha atrevida a ficar mais caladinha. — Diz enquanto se aproxima e passa o polegar nos meus lábios, meu corpo responde de imediato.
— Então vamos indo. — Me apresso em dizer. — Já que não podemos atrasar.
Começo a sair de perto dele e caminho até a porta, antes que ele mude de ideia e não queira mais ir em lugar algum.
— Espero não precisar matar ninguém hoje. — Ele fala e eu paro no lugar.
— Por quê? — Pergunto sem entender.
— Porque não quero ninguém bancando o bobo pra cima do que é meu.
Ele pega a minha mão e em silêncio vamos à boate.
[...]
Chegando na boate, a beleza e o tamanho do lugar me surpreendem.
— É sua? — Pergunto sem perceber e só me dou conta, quando ele me responde.
— Sou um dos sócios.
Ele me puxa entre as pessoas e me leva por uma porta lateral que entramos sem precisar passar por aquela fila gigante.
O interior é ainda maior, está lotado de pessoas, a maioria jovens.
— Vamos subir. — Lucca fala alto pra mim ouvir, com toda essa música. Sem soltar a minha mão, vamos subindo até o que parece ser a área vip do lugar, onde tem bastante pessoas, mas nem se compara ao que tem lá embaixo.
— Lucca, quanto tempo! — Um homem de uns quarenta e poucos anos vem e comprimentá-lo.
— Como vai Pedro?
— Estava mesmo falando ao Nicholas, balada, bebidas e mulheres não são o mesmo sem o grande Lucca.
Tenho que segurar a enorme vontade de revirar os olhos. Parece até que o homem que está olhando para mim, nem mesmo me viu, para fazer um comentário tão i****a como esse.
— Oi Alícia, até que enfim te vejo aqui na Itália. — Nicholas vem me cumprimentar.
Ele me abraça e logo se afasta, antes de eu ouvir o i****a falar.
— Alícia é o nome dessa moça bonita? — Seu sorriso amarelo me causa ânsia. — Muito prazer Alícia. — Diz Pedro pegando minha mão e dando um beijo.
Eu retiro minha mão o mais rápido possível, ele me olha com um olhar divertido. Sinto a mão de Lucca apertar a minha.
— Acho melhor você parar de dar em cima da minha esposa, Pedro. — Lucca fala pra ele com cara de poucos amigos. Seu tom de voz está normal, mas só um i****a não veria a morte desenhada em sua cara.
— Ora, ora, não sabia que você tinha se amarrado. Nem me convidou para o casamento.
— Foi algo rápido, não deu tempo pra chamar todo mundo.
— Entendo.
Pedro responde apenas isso e vamos nos sentar. Lucca senta ao meu lado e me puxa mais pra perto dele, com uma mão que fica brincando em meu ombro.
Um garçom chega e começa a nos servir, ele me olha e sorri.
— Penso che faresti meglio a smetterla di sorridere a mia moglie se vuoi andartene vivo da qui. (Acho melhor parar de sorrir pra minha esposa, se quer sair vivo daqui) — Lucca fala algo pro rapaz, que sai assustado quase correndo.
Faço uma anotação mental, preciso estudar Italiano, urgente.
— Quer beber alguma coisa? — Lucca me pergunta.
— Champanhe. — Vi que tinha na mesa logo à nossa frente.
— Ok. — Ele me serve uma taça.
— Nunca havia tomado. — Confesso pra ele.
— Eu sei. — Ele me responde e eu reviro os olhos.
— Vou te castigar da próxima vez que me revirar os olhos.
— O que você está bebendo? — Mudo de assunto, tentando manter minha voz calma.
— Uísque. — Lucca me responde, com o lábio mostrando um sorriso de lado. — Mas não vou deixar você beber, não hoje.
— Eu nem ia pedir.
— Sei. — Ele fala, me olhando divertido.
[...]
Depois de três taças de champanhe, eu pedi água. Não quero passar dos limites na nossa primeira saída juntos.
— Já está bêbada Alícia? Que rápido. — Nicholas me fala com uma risada, ele está abraçado com uma loira, que está grudada no seu pescoço como um carrapato, enquanto a mão de Nicholas sobe pela sua coxa, por baixo do vestido.
— Nem de bola, Nicholas é assim mesmo. — Lucca sabe pra onde estou olhando e me fala.
— Não queria ter olhado, desculpe.
— Tudo bem. Quer dançar?
— Quero. — Respondo de imediato.
— Vai lá. — Sorri com minha empolgação. — Aproveite, só não exagere, não quero matar ninguém.
— Não precisa matar ninguém.
Me jogo na pista, vou me movendo conforme a música. Olho na direção da área vip e vejo uma loira conversando com Lucca ao pé do ouvido. Ele me encara, mas continua falando com a loira.
Fecho os meus olhos, sinto a música e deixo meu corpo se mover. Sinto uma mão na minha cintura, abro os olhos ao ouvir uma voz estranha.
— Che bella cosa ballare. (Que coisa mais linda dançando).
— Me solta. — Grito e tento sair do seu aperto.
— Non credo tu abbia sentito la ragazza. (Acho que você não ouviu a moça)
A voz de Lucca me assusta. Está tomada de raiva, arrisco olhar nos seus olhos, e me arrependo…
— Stiamo ballando. — O i****a fala sem me largar.
— Togli la tua cazzo di mano da mia moglie. (Tire a p***a da sua mão, da minha esposa).
Não sei o que Lucca falou, mas sei que fez efeito. O homem me soltou e eu corri pro lado de Lucca.
Ele me pegou pelo braço e saiu me arrastando. Eu só não caí, porque o aperto dele era forte.
Ele subiu uma escada, pegou uma chave no bolso e abriu uma porta.
Estou ferrada. Ferrada.
Penso comigo mesma, ao olhar pra dentro do que me parece ser seu escritório.
Ele me puxa pra dentro e me joga com toda força no sofá que tem ali.