Narrado por Dante O rangido da madeira sob meus sapatos ecoava pelos corredores como um aviso. A casa inteira respirava um silêncio tenso, como se soubesse o que estava por vir. Meu sangue já estava em ebulição antes mesmo de abrir a porta. Eu sentia que ela tinha me desafiado de novo. E ela não ia sair ilesa dessa vez. Girei a maçaneta com calma. A porta se abriu com um clique metálico. Aurora estava sentada na beirada da cama, os olhos fixos na parede, a expressão vazia. A camisola de seda que mandei deixarem ali continuava pendurada na cadeira, intacta. Ela ainda usava a roupa da noite anterior. Teimosa. Orgulhosa. Estúpida. Fechei a porta com um estalo seco. Ela me olhou de relance, mas não disse nada. Nem um pedido de desculpas. Nem uma justificativa. Apenas aquele silêncio provoc

