Zahara Haruno
— Você ainda está aqui? O que você está esperando, eu não estou com paciência hoje! — Miguel olha para mim com ódio estampado no rosto.
— Desculpa, Miguel, eu só achei... — Tentei argumentar, mas ele me interrompeu com rispidez.
— Eu não te pago pra achar nada! E para você é senhor Ruiz! Não é porque eu trepamos de vez em quando que você pode me tratar como igual. Aqui nessa empresa, você é apenas uma simples secretária e inútil, não sabe nem mesmo a hora de ir embora. Anda, saia do meu escritório! — Ele gritou, me fazendo congelar no mesmo lugar.
— Desculpa, com licença. — Falei de cabeça baixa, saindo o mais rápido possível daquele inferno.
Voltei para a minha mesa, mas o meu ódio por aquela mulher só crescia no meu peito. Todas as vezes que Celine More estava envolvida, meu chefe perdia o controle; dessa vez, por causa dela, ele havia perdido milhões em um negócio. Além do mais, era por culpa dela que até hoje, mesmo depois de tantos anos, eu ainda não conseguira conquistar o coração de Miguel.
Eu ainda me lembrava perfeitamente da primeira vez que o vi. Ele estava começando a erguer a empresa de construção civil e eu me candidatei para a vaga de secretária. Há oito anos, oito longos anos, eu vivo única e exclusivamente para ele. Desde os meus vinte anos, trabalho no Grupo Ruiz, que hoje se tornou um dos mais influentes da cidade. Suspirei profundamente, pensando em tudo o que já fiz por esse homem. E, mesmo depois de tanta dedicação, ele parecia nem notar a minha existência.
— Grupo Ruiz, com quem eu falo? — atendi o telefone por reflexo, sem sequer olhar o visor.
— Com quem você acha que está falando? — a voz áspera de Miguel ecoou do outro lado da linha.
— Desculpe, senhor. O que deseja? — recuperei a compostura no mesmo instante, banindo meus devaneios.
— Um chá — falou com aquela impaciência habitual —, eu preciso de um chá para me acalmar! Você pode pelo menos fazer isso?! — desligou, sem me dar tempo de responder.
Olhei para o aparelho. Bem, de qualquer forma, aquilo não havia sido uma pergunta.— Entre! — A voz irritada ressoou assim que bati à porta. Pus o pé para dentro carregando a bandeja.
— Aqui está, senhor. — Coloquei a bandeja na mesa de centro e servi uma xícara para ele.— O senhor quer uma massagem? — perguntei ao vê-lo girar os ombros na tentativa vã de dissipar a tensão.
— Tudo bem. — Ele concordou, desabotoando o terno e, em seguida, arrancando a gravata. Eu podia até irritá-lo com minha presença, mas ele sabia muito bem que minhas mãos faziam milagres; minhas massagens sempre conseguiam arrancar o peso daquele corpo tenso.
Prendi a respiração quando ele começou a abrir os primeiros botões da camisa branca, revelando os músculos firmes do seu peito. Eu m*l conseguia conter o desejo primitivo de montá-lo ali mesmo, em cima daquela mesa. Mesmo sendo um grosso e se recusando a corresponder ao que sinto, eu ainda estremecia inteira quando ficávamos a sós.
Posicionei-me atrás dele e iniciei os movimentos. Miguel fechou os olhos, soltando um suspiro longo à medida que meus dedos deslizavam por suas costas. Deslizei as mãos por dentro da camisa; cada toque era firme, preciso, quente. Mudei-me para a frente dele, terminando de abrir o restante dos botões, acariciando levemente cada centímetro de pele recém-descoberta.
— O que você está fazendo? — Ele agarrou meus pulsos com força, fitando-me com aqueles olhos intensos onde o desejo brilhava sem disfarce.
— Estou te fazendo relaxar — respondi, sem desviar o olhar nem por um segundo —, não é isso que o senhor quer? — provoquei com a voz rouca.
— E você acha que é isso que eu quero? — Ele apertou meus pulsos com mais intensidade.
— Eu só estou fazendo a massagem — tentei puxar o braço, frustrada —, não precisa ser agressivo assim!
A verdade é que a frieza dele me machucava; entretanto no fundo, eu esperava que ele me puxasse de uma vez, mas ele insistia em ser insensível.
— Massagem? — Ele estreitou os olhos, debochado. — Você acha mesmo que depois de todos esses anos eu não te conheço, Zahara? Eu te conheço muito bem e sei de cada um dos seus joguinhos. — Ele me puxou para perto, colando o corpo ao meu. — Eu sei quando você está enlouquecida para dar para mim, seus olhos estão implorando por isso. — Sussurrou contra o meu lóbulo, cortando minha respiração.
Por mais que eu não fosse a mulher que ele amava, Miguel não podia negar que me achava atraente. E, naquele momento de estresse, eu era exatamente o que ele precisava para esvaziar a mente. Ele me ergueu para o seu colo, capturando minha boca em um beijo profundo, bruto, possessivo. Enrosquei minhas pernas em sua cintura e ajudei a arrancar o restante da minha blusa e do meu sutiã, sem interromper o ritmo frenético daquela boca. Ele se levantou comigo presa em seus braços, empurrou uma pilha de papéis com o cotovelo e me sentou na borda da mesa. Num puxão rápido, rasgou o espaço da minha saia e sumiu com a minha calcinha. Soltei um gemido abafado quando os dedos dele encontraram minha umidade.Tentei me conter, mas era impossível não fazer barulho com aquele homem me reduzindo ao caos com cada toque dos seus dedos.
Mordi meu lábio inferior até sangrar para abafar o som quando ele dobrou o ritmo dentro de mim. Descendo os lábios, ele abocanhou meus s***s com voracidade, chupando-me duro enquanto os dedos continuavam o m******e lá embaixo.
Quando percebeu que eu estava no limite, na beira do colapso, ele abriu a calça e entrou em mim de uma vez só. Sem carinho. Apenas puro fogo e brutalidade.Começou a estocar fundo, e eu o abracei forte pelas costas, cravando as unhas em seus ombros largos, mordendo seu pescoço, o suor misturando nossos corpos. Aquela minha entrega o inflamou ainda mais; ele segurou meus cabelos na nuca, puxando minha cabeça para trás enquanto descarregava estocadas implacáveis.
— Eu vou... Eu vou... Ahhh... — balbuciei, mas ele tapou minha boca com a palma da mão.
— Shh... Quer chamar atenção do prédio inteiro ou prefere uma plateia? — sussurrou antes de calar meus gritos com um beijo feroz.
Ele gostava de me ouvir, mas a falta de isolamento acústico era um risco.Cravei os calcanhares em suas costas e gozei com força, com meus gritos abafados pelo contato da nossa boca. Ele finalizou logo em seguida, respirando pesado.
— Se limpe no banheiro e pode ir. — Falou seco, ajeitando o zíper da calça sem me lançar um único olhar.
Abaixei a cabeça. Era sempre a mesma rotina mecânica.
— Tudo bem... — sussurrei. Desci da mesa, recolhi minhas peças do chão e rastejei até o banheiro.
Mesmo sem receber um carinho, um olhar terno ou qualquer migalha de afeto depois do ato, eu ainda achavaqueles instantes sagrados. O prazer entre nós era cru, real, e eu me convencia de que aquilo já era um começo. Quando saí do toalete, vi Miguel encarando a bagunça na mesa com um sorriso de canto. Fodida ou não, eu era a válvula de escape dele. Enquanto a outra não estivesse em sua cama, eu continuaria sendo o passatempo preferido.
***
— Bom dia! Eu posso falar com seu chefe? — Celine parou diante da minha mesa, me olhando com um desdém insuportável.
— Por favor, aguarde só um momento, ele já vai atendê-la — respondi, forçando o meu melhor sorriso falso, embora a minha vontade fosse atirá-la pela janela e assistir sua queda do trigésimo andar.
— Um chá, por favor. — Ela cruzou as pernas, acomodando-se no sofá com arrogância.