A sala permanecia mergulhada em um silêncio denso, quase sagrado, como se o mundo lá fora tivesse sido pausado. A única coisa que se ouvia ali era o som suave da respiração de Elisa, ainda trêmula e descompassada, e o leve ruído das batidas do coração de Rafael — fortes, marcadas, tão próximas que ela podia senti-las com clareza, vibrando contra o tecido da camisa dele, reverberando através do abraço. Ela permaneceu encostada no ombro dele por mais alguns instantes, sem pressa, como se aquele gesto fosse um casulo frágil do qual ela ainda não estava pronta para sair. E, aos poucos, sem que palavras fossem ditas, começou a se acalmar. Não foi pelo que ele disse, porque ele não disse nada. Foi pelo que ele não disse. Pela quietude. Pela forma como ele apenas ficou ali, presente, sem exigir,

