Bia morava a apenas duas quadras da escola, e, como em todos os dias em que a alma de Elisa pesava mais do que os ombros podiam suportar, foi pra lá sem pensar duas vezes. Era um ritual silencioso entre as duas: quando tudo desandava, Bia era seu porto seguro. Ela não precisava explicar, justificar ou pedir. Apenas aparecia — e Bia sabia. Assim que entrou, com a mochila caindo de um dos ombros, o cabelo úmido de suor e o rosto ainda marcado pela manhã difícil, Bia surgiu no corredor, celular em uma das mãos e a sobrancelha arqueada em alerta. — Tá com uma cara péssima. — anunciou, antes mesmo de um "oi". — O reforço foi uma droga né amiga ? Elisa deixou a mochila cair no sofá da sala como se ela pesasse uma tonelada. Sentou-se para tirar o tênis, os pés cansados de mais do que apenas c

