O sinal tocou, reverberando pelos corredores como um lembrete de que o dia ainda não havia terminado. Elisa já estava ali, sentada em sua carteira próxima à janela, com o olhar distante, observando os colegas entrarem aos poucos. Alguns conversavam baixo, outros apenas arrastavam os pés até seus lugares, mas havia um certo peso no ar — como se o dia, longo demais, tivesse sugado até mesmo a energia da turma. Ela apoiou o queixo na mão e observou o pátio lá fora, onde as árvores balançavam preguiçosas com o vento fraco da tarde. O sol parecia mais opaco, e até os risos costumeiros do fim de expediente escolar estavam ausentes. Tudo estava mais silencioso. Ou talvez fosse apenas o mundo interior dela que estivesse assim — abafado, lento, denso. Foi então que ele entrou. Rafael atravessou

