O céu já se pintava de laranja queimado quando Elisa empurrou o portão de casa. A porta da frente estava entreaberta, e o som dos gritos se espalhava como vento gelado.
— Você nunca escuta! — a voz do pai cortava o ar como faca.
— Porque você nunca fala com calma! — rebateu a mãe, esgotada.
Ela não reagiu. Apenas subiu as escadas, cada degrau pesando como chumbo. A mochila escorregou dos ombros antes mesmo que chegasse ao quarto. Fechou a porta com cuidado, como quem tenta se trancar dentro de si.
No quarto abafado, silêncio.
Deixou os livros no chão, caminhou até o armário e pegou a toalha. Começou a se despir com movimentos lentos — quase meditativos. Primeiro a blusa, revelando a pele arrepiada. Depois o sutiã, soltando o peso do peito. A calça deslizou pelas pernas como se carregasse também um pouco da dor do dia.
Parou em frente ao espelho. Nua. Vulnerável. O reflexo mostrava não só seu corpo, mas o cansaço preso nos ombros e a inquietação viva nos olhos.
Lá fora, o mundo desabava em gritos. Mas aqui dentro, havia outro caos crescendo.
Rafael.
O nome tomou forma na mente com um gosto proibido. O professor. O olhar firme, o jeito como a voz dele ficava mais grave ao sussurrar algo próximo demais. O cheiro de livro e pele, a barba por fazer, o calor imaginado das mãos dele escorregando por sua cintura.
Fechou os olhos e encostou as costas na parede gelada. A água do chuveiro já corria, enchendo o banheiro de vapor. Mas o que queimava era outra coisa. Uma tensão que crescia entre as pernas, nos s***s intumescidos, na respiração curta que se tornava mais pesada.
Ela se permitiu deslizar os dedos pela barriga, devagar, como se fossem os dedos dele. Arfou.
Na mente, ele a encostava na parede da biblioteca. A voz rouca, o toque firme, o desejo que ela só ousava sentir sozinha.
Com a palma da mão, pressionou os s***s, imaginando a boca dele ali. Um arrepio correu pela espinha. As pernas se apertaram por instinto. Os dedos desceram mais, explorando a si mesma com delicadeza, com urgência, com o pensamento fixo naquele olhar que parecia despir sua alma.
Encostou a testa no espelho já embaçado, mordendo os lábios para conter um gemido. A pele estava quente. As coxas, trêmulas. Ela queria parar. Queria afastar aquela imagem. Mas também não queria.
— Ele é seu professor… — sussurrou para si mesma, quase implorando.
Mas o desejo não recuou.
Era como fogo. Um calor surdo e contínuo que não se apagava com razão. Que não se desfazia com lógica ou culpa.
Ela se tocava com mais intensidade agora, buscando o alívio que talvez nunca tivesse. Um prazer silencioso, escondido entre paredes e vapores. Um segredo sujo e doce. Seu corpo vibrava com cada fantasia — a mão dele apertando sua coxa, os lábios sugando seu pescoço, a voz grave sussurrando seu nome contra a pele úmida.
E então, quase sem perceber, deixou-se levar. A tensão explodiu em silêncio, em um arrepio que percorreu cada nervo como eletricidade.
Ela tremia. Abriu os olhos, ainda ofegante, e sentiu as lágrimas misturadas com suor e vapor. Sentia-se viva, e ao mesmo tempo partida.