~~CAPÍTULO 5~~
DIEGO BELLUCCI
Eu olhava para a cicatriz em meu peito, ela se destacava entre as demais tatuagens, ela foi feito por ela, nunca me esqueço daquele dia, daquelas palavras de ódio. Eu sabia, eu sabia em meio aqueles olhos lindos que ela não estava brincando de Deus. Ela é uma deusa do inferno, não brincava de esconde, esconde como as demais mulheres, ela era fogo, muito fogo para mulher da sua idade.
Depois daquele dia, meu irmão nunca falou em compromisso com outra mulher, ele nunca se atreveu a pensar nisso, porque ela gritou furiosa aos quatros ventos da casa que ela me mataria, essa cicatriz é a prova disso, a prova que eu não me casaria com outra mulher além dela.
Eu sei que eles falam, todos falam, eu sei que ela está bem, mesmo que ninguém me diga nada sobre ela. Nossas famílias determinaram que nós não deveríamos estar no mesmo lugar até que Chloe fizesse 20 anos. Ela fez, ela se formou, ela curtiu suas férias, e mesmo assim não tenho notícias dela. Será que ela se esqueceu da promessa? Não. Ela nunca se esqueceria. Eu sei. Ela nunca deixaria de me amar.
— Querido, bati na porta, mas, você não me ouviu.
Minha cunhada Fiorelle disse parada na minha porta.
— Estava distraindo.
Afirmei. Tirei a mão da minha cicatriz, ela sorriu para me nervosa.
— Ela teve a coragem que muitos não tiveram.
Fiorelle, entrou no meu quarto, estou na casa do meu irmão para uma visita que felizmente, eu acabei dormindo aqui. Meu quarto continua sendo muito bem cuidado em casos como estes. Apesar do meu apartamento ficar há duas horas daqui, é muito bom conversar com meu irmão e meus sobrinhos por longas horas. Cobre a parte solitária de mim.
— Nunca vou me esquecer daquele dia, você com uma faca cravada no peito enquanto ela proferia aquelas palavras, nunca vi tanto ódio, medo no olhar, ela estava certa do que queria, sempre esteve.
Ela sempre foi valente.
— Você sabe dela?
Questionei observando a foto da sua formatura na cabeceira da minha cama, ela estava sorrindo enquanto segurava seu diploma de médica nas mãos, gostaria de ter indo, queria estar lá, mais não era o momento oportuno, tem sido assim nos últimos anos.
— Sim.
Ela sorriu.
— Você não imagina onde ela está.
Ela sorriu para me saindo do meu quarto deixando curioso. Desci para tomar café, depois segui com minha agenda de trabalho.
— Diego, querido.
Eu amaldiçoei, é um azar danado essa mulher cercar-me, Lette é uma mulher muito bonita, nós ficamos algumas vezes, ela é uma boa companhia quando não está sendo chata com a história de compromisso.
— Lette, o que faz aqui?
Questionei rapidamente, preciso entrar no clube.
— Você prometeu levar-me ao shop.
— Hoje não é um bom dia.
— Claro que é, está sol, vamos, apenas 30 minutos, depois eu prometo que você pode ir embora quando quiser.
— 30minutos.
— Prometido.
30 minutos é tempo suficiente para me livrar dela, mulheres fazem compras que duram uma eternidade, sei muito bem porque diversas vezes acompanhava minha cunhada Fiorelle, e ela nunca terminava de fazer compras depois de 2h. Com ela não será diferente.
Quando chegamos, ela levou-me para conhecer diversas lojas femininas, e ainda assim, ela não gostava de nada, seu tempo estava se esgotando quando vi o deslumbre dos cabelos roxos com rosa, não pode ser, apenas uma mulher louca costuma pintar seus cabelos desse jeito. Um em milhões, e essa mulher estava aqui, na minha cidade e eu não fazia ideia do quão perto ela estava. Nossos olhos encontraram-se, ela estava muito, muito linda, mais do que eu me lembrava, ela cresceu, virou uma mulher muito atraente.
Chloe se aproximou com um belo sorriso em seus lábios, eu sabia porque ela estava sorrindo, havia uma mulher pendurada em meu braço exibindo-me para todo mundo como se eu fosse seu troféu.
O problema, é que esse troféu tem dona.
— Diego, querido, quanto tempo?
Ela disse encarando a mulher ao meu lado.
— Chloe, não sabia que estava em Nova Iorque.
Eu tentei disfarçar a presença da Lette.
— Engraçado, ninguém me contou dessa aí.
— Eu e o Diego estamos nos conhecendo, você deve ser da família, ele disse que são muitos.
Eu ajeitei minha gravata cuidadosamente.
— Tem razão, sou da família.
Ela encarou-me sorrindo.
— Pelo menos ela é bonita.
— Chloe eu...
Ela colocou um dedo em meus lábios silenciando-me. Ela fez uma pequena reverencia quando afastou-se de nós.
— Eu preciso conversar com ela, coisa de família.
Eu disse a ela rapidamente sem esperar por uma resposta, eu a segui. Não era uma boa ideia, mas, eu tinha que me arriscar.
— Está chateada?
Eu questionei quando alcancei-a.
— Eu deveria me chatear por dormir com uma prostituta?
Ela questionou um pouco magoada pela minha questão, não foi o que imaginei para o nosso primeiro encontro.
— Não era assim que imaginei que seria o nosso encontro.
— Engraçado.
Ela deu dois tapinhas no meu peito antes de entrar em uma loja.