~~CAPÍTULO 7~~
CHLOE ROSS
Eu estava a dirigir o carro alugado, Emily estava com ressaca da noite anterior e hoje tivemos que nos levantar para encarar duas horas de estrada para casa do tio Marcos, paramos duas vezes no caminho para comprarmos água ou café. Depois do incidente de ontem, nós saímos da boate sem trocar uma palavra com Diego, eu sabia que ele insistiria em nos acompanhar e arrumar um drama que não estava disposta a ouvir.
Emily estava dormindo no banco de trás quando atravessei os portões enormes da casa do tio Marcos, o carro deslizou pelo corredor coberto de arvores enormes até que finalmente a mansão apareceu. Dei uma volta antes de estacionar o carro no estacionamento de visita pela retaguarda, isso facilitaria minha saída.
— Emily chegamos.
Desliguei o motor do carro, segurei meu casaco e abro a porta, neve, muita neve.
— Falou com a tia mandar um jatinho para mim?
Emily questionou, papai está na Itália, com certeza está com o jato, e o outro é para emergências.
— Vou pedir tio Marcos, um jatinho está na Itália.
— Está bem, preciso sair logo cedo para não perder a reunião da tarde.
— Sim senhora executiva.
Fechei as portas do carro e caminhamos para a entrada da casa do tio Marcos. Quando íamos tocar a campainha, a porta foi aberta e o tio Marcos emergiu.
— Chloe, você me deu um corpo ontem.
— Tio Marcos, é muito bom vê-lo.
Eu fiz pequena reverencia e sorri educadamente para ele.
— Isso foi muito insolente, Chloe.
Ele debochou.
— Tio, sorria, não peguei duas horas de estrada para ouvir sermão, é muito deselegante da sua parte.
Murmurei esperando ele nos convidar para entrar, quando suspirou, acenou dando-nos espaço para passar.
— Chloe querida, que bom que vieram.
Tia Fiorelle disse cumprimentando-nos.
— Tia Fiorelle, bom dia.
— Emily querida, você está horrível.
— Final de semana longo.
Eu justifiquei, ela estava bebendo whisky, claro que sofreria um pouco no dia seguinte.
— Ela quis dizer que ontem encheu a cara.
Tio Marcos debochou, olhei para atrás encarando-o, qual é o problema dele?
—Nós aceitamos chocolate quente e biscoitos, de preferência com um sofá perto da lareira.
— Bem na hora.
Eu segui-a até a cozinha.
— Seu tio está preocupado consigo.
Ele não está preocupado comigo, está preocupado com minhas ações em seu território.
— Diga a ele para relaxar, ultimamente ando de bom humor.
Muito bom humor para ser sincera, eles não precisam se preocupar, tenho visto muito sangue para alegrar meu dia no hospital.
— Coitada da sua mãe.
— Que isso tia, é coisa que se fale?
Minha mãe adora meu gênio, então, estou muito, muito bem com isso.
— Tome seu chocolate, estamos esperando alguém para almoçarmos.
— Onde estão meus sobrinhos?
Questionei notando o silêncio da casa, crianças fazem muito barulho, Lucas e Rafael são autênticos barulhentos, eles tiveram que se mudar do meu corredor porque acordavam-me 5h da manhã todos os dias para sei lá o quê, era irritante.
— Passando o final de semana com minha mãe, é tão maravilhoso ter final de semana sem crianças.
Essa casa é enorme, ela só precisava instalar meus primos no primeiro andar, não que isso mude alguma coisa, mas, aprendem com tempo a não entrar no quarto dos pais a todo momento. Salvatore e o pequeno Marcos são muito tranquilos, não sei o porquê eles atrapalhariam a vida s****l deles.
— Maravilhoso para fazer bebés.
— Deus não, quero esperar Marcos completar 5anos.
Ele agora está com 3, há um longo caminho para frente, se dependesse dela, ela teria uns 4filhos agora, tia Fiorelle adora criança, que bom que Deus abençoa ela com filhos calmos, se ela tivesse os pestes de casa, ela não estaria ansiosa para fazer mais filhos. Eu carreguei a bandeja até a sala, Emily está deitada no sofá bocejando.
— Tio eu preciso de um jato para levar Emily para casa amanhã.
Informei a ele.
— Você o terá na hora que desejar.
— Obrigada por isso.
— Falando sério, você precisa se comportar agora que se encontrou com Diego.
Tio Marcos começou, eu me sentei no sofá.
— Resumindo, eu não posso tentar matar seu irmão.
Ele é mais forte que eu, considerando a opção de matar ele, mais forte, resistente a dor. Ele me mataria antes de eu dar o golpe final nele.
— Pensando assim, nós dois sabemos que Diego é 3 vezes mais forte, mais rápido, alto e grande. Eu acho que tenho mais chance se eu envenenar ele.
Debocho.
— Deus mio, eu não acredito que sua mãe não soube te controlar.
— Você precisa se acalmar, eu não vou matar Diego, não me deu motivos.
Encolhi os ombros enquanto levava o copo de chocolate quente para boca, não tenho a intenção nenhum de matar Diego, irritar tio Marcos é bem melhor e divertido. Levantei para pegar um cobertor para Emily que está dormindo, por mais que a casa esteja bem aquecida, Emily odeia inverno, quanto mais aquecida melhor. Eu ouvi alguns passos na entrada, em seguida Diego apareceu, entretanto ele não estava sozinho, aquela mulher do Shop estava com ele e o homem desconhecido da madrugada também.
— Obrigada por trazer-me Diego, isso significa muito para mim.
A mulher disse a ele, eu me mantive sentada, calma, olhando para o pequeno cenário ficar desconfortável.
— Chloe?
Diego parece surpreso em me ver.
— Eu mesma.
— Você é aquela mulher do shop, muito linda sua sobrinha.
Eu suspirei enquanto sorria, eu adoro o quanto isso poderia se tornar divertido.
— Diego querido, que bom que chegaram...
Tia Fiorelle parou de falar e olhou drasticamente para o tio Marcos.
— Você deve ser a cunhada do meu futuro marido.
— Eu sinto muito querida, está havendo uma confusão aqui, Diego está comprometido.
Tia Fiorelle esclareceu.
— Eu sei que vossa família se compromete ainda cedo, não acho que Diego goste dela, já imaginou? Casar por obrigação e ter diversas amantes?
Essa doeu muito mais na tia Fiorelle que em me, nós sabemos das fugas noturnas que tio Marcos teve, isso não deveria vir átona neste momento, depois de tantos anos.
— Você deve ir.
Tio Marcos interveio.
— Eu disse algo de errado?
— Vá.
Diego acenou para o homem ao seu lado que segurou a mão dela puxando-a para fora.
— Eu devo me preocupar com essa mulher?
Eu questionei ficando de pé, ele não me fará de boba estupida, se ele achar que serei a versão traída dessa história ele está, muito, muito enganado. Eu tirei uma faca da minha bolsa e segurei, eu me aproximei dele, como ele ousa trazer essa mulher para casa do seu irmão, como se eles tivessem um compromisso. Quando eu ia cravar no seu pescoço ele segurou a faca impedindo-me de executar o ataque. Nós nos olhamos, havia fogo em seus olhos, eu aposto que está todo e******o por ver uma mulher tentar machucá-lo.
— Chloe, eu não sabia que estava aqui.
Ele disse afastando-se e sua mão sangrando com o corte que fiz nele.
— O que eu te disse, Diego?
Quando mais eu tentava me aproximar ele se afastava de me, isso me irritou ainda mais, levantando o braço eu puxei para seu peito, mas, ele esquivou.
— Nós só saímos algumas vezes.
Ele esclareceu. Quando ele atingiu a parede, eu segurei a faca com força e quase gravei no seu peito, entretanto, ele esquivou, forçando-me a deixar cair a faca, rapidamente eu fechei o punho.
— Eu estava estudando seu i****a, enquanto você se divertia.
Ele esquivou do meu ataque, eu dobrei o joelho e tentei acertar seu joelho, ele é mais rápido, vamos mudar de tática.
— Chloe, fique calma.
Dobrei o joelho rapidamente enquanto erguia o soco, ele esquivou a joelhada, mas eu acertei sua bochecha, sem dar o momento de pausa eu forcei outro golpe, ele segurou meu braço, arrastando-me para o chão, dobrei o calcanhar, puxando-o junto comigo para o chão, se ele subir em cima de mim, é o fim, eu puxei seu casaco e tirei sua arma, quando nos levantamos, ele estava apontando a arma para mim e eu para ele.
— Você é uma louca rancorosa.
— Eu vou f***r a cidade toda.
Seu rosto mudou de forma e imediatamente ele tentou dar um passo para frente, quando destravei a arma ele parou.
— Não se atreva, Chloe.
Diego disse um tanto que irritado. Peguei você.
— Eu vou implorar que eles me toquem, como eu sou boa, procurarei todos os Diego que existirem em nova Iorque, eu gritar tão alto, que você terá pesadelos todas as noites.
Travei a arma e joguei no sofá, lentamente, eu fui me sentei à mesa esperando que o almoço seja servido.
— Chloe.
Tio Marcos começou.
— Não tio.
Eu falei, Emily sentou ao meu lado, e o Diego sentou-se à minha frente, olhei para mão ferida, ela ainda estava sangrando e ele parecia não se importar com isso. Tia Fiorelle sentou ao lado do tio Marcos e tentou colocar um sorriso em seu rosto.
— Nós iremos a Nova Iorque próxima semana para ver sua mãe.
Comentou tia Fiorelle enquanto seus empregados nos serviam a comida.
— Ótimo, eu irei na sexta-feira à noite, chegarei de madrugada.
Comentei.
— Você vai Diego?
Questionei com um sorriso no rosto. Acabei de ter uma ideia brilhante, Diego vai pagar-me por essa humilhação.
— Se meu irmão permitir.
Ele murmurou em resposta, agora que já nos encontramos, nada irá nos separar, e eu garantir que isso aconteça.
— Tio, é uma ótima ideia Diego, afinal, nós vamos nos casar futuramente.
Eu sorri, tio Marcos olhou-me por um instante, aumentei meu sorriso exibindo meus dentes brancos. Ele suspirou.
— Concordo com você, irei informar seu pai sobre a ida dele.
— Eu adoro quando estamos todos em família, é divertido conversar com sua mãe, ela é muito culta e nos dá bons conselhos.
Tia Fiorelle comentou animada.
— Pena que ela teve uma filha que não segue nenhum deles.
Tio Marcos debochou.
— Oh tio Marcos, eu gosto de elogios, isso significa que quebrei a maldição das mulheres comportadas que dizem sim para tudo que bando de machos dizem.
Tio Marcos bufou e Emily sorriu.
— Marcos querido, Chloe é uma mulher moderna, para as regras antiquadas da máfia.
Ela sorriu, quando terminamos de comer, tia Fiorelle levou-me para sua estufa e ofereceu-me um vaso de rosas. Quando o sol se pôs, nós nos despedimos, Emily precisa descansar.
— Não vai se despedir?
Diego questionou aproximando-se do carro alugado, sua recém ferida está estacada com um curativo.
— Eu devo?
Questionei a ele.
— Aonde você está morando?
Ele questionou-me de volta.
— Sua amiguinha especial está te esperando.
Eu dei as costas, mas virei.
— Se mandar alguém me seguir, ele não voltará para te dar a informação.
Entrei no carro, Diego levantou a mão em breve aceno despedindo-se, foram mais de duas horas longas para voltar para casa, o transito estava horrível especialmente dirigindo enquanto a outra dorme no banco de trás.
Quando chegamos no apartamento, eu preparei nosso jantar enquanto Emily limpa os cômodos, tomamos banho e nos sentamos para comer enquanto assistíamos filmes. Quando amanheceu, eu levei Emily ao aeroporto, depois segui para o trabalho.
— Bom dia, por favor me atualize.
Peço a Leticia.
— Bom dia doutora, o menino das costelas ainda está internado.
Como assim ainda interno? Ele está apto para seguir o tratamento em casa.
— O que aconteceu para ele não receber alta?
Leticia encolheu os ombros em resposta. Fui deixar minhas coisas no banheiro e vesti o jaleco em segui para o quarto do meu paciente adolescente.
— Bom dia doutora.
Levei seu prontuário na pequena vitrine do quarto, ele auxilia as enfermeiras na hora da medicação e identificar o médico responsável pelo paciente, olhei seu prontuário, aqui diz ele já deveria ter indo para casa.
— Eu não quero receber alta.
Levantei os olhos para encarar o garoto moreno na cama, algo me diz que terei uma conversa com ele.
— Porque não?
Questionei a ele.
— E se eles me agredirem.
Ele está com medo, ficar neste hospital não vai resolver seus problemas.
— O medo será seu pior inimigo, eu nunca fui medrosa.
Comecei.
— Nunca?
— Não, cresci em um lar amoroso, igual ao seu, eu sempre dei trabalho, muito trabalho a minha mãe, Deus, eu não sei como ela me aguentou.
Ele riu.
— Você foi rebelde.
— Eu sou rebelde, nem por isso deixei de ir a faculdade, eu me vestia estranho, se alguém me provocasse eu dava chega para lá neles, não importa o quanto tentassem, eu sempre vencia.
— Porque você não tem medo.
— Hoje eu sou médica, eu não tenho medo de enfrentar os outros, enfrentar os problemas, enfrentar minha rotina cansativa, porque fiz uma escolha, eu tenho que estar bem com ela, sem arrependimentos.
— Eu tenho que ir para casa, não é?
Ele não pode adiar seu problema.
— Sim. Adiar os problemas só vai criar ansiedade, nervosismo.
— Se eles aparecerem?
Eu daria uma boa surra neles. Meu senso de responsabilidade não permite dizer isso a ele.
— Fale com firmeza, pessoas tem medo de pessoas confiantes, fale sem gaguejar, sem recuar.
— Bom dia doutora.
Os pais do meu paciente disseram.
— Bom dia papais, ele está pronto para ir para casa.
— Graças a Deus.
Eu sorri, acenei para ele me despedindo, depois que assinei sua alta. Eu estava indo em direção a ala de terapia intensiva quando vi uma pequena princesa correndo vindo em minha direção.
— Doutora Chloe, doutora Chloe.
Ela disse elétrica, levei-a para os meus braços.
— Oi princesa, que bom ver você.
— Olha meu cabelo.
É uma peruca loira muito linda, digna de uma princesa que ela é.
— Deus mio, ele está maravilhoso, uma loira encantadora.
Beijei sua bochecha.
— Obrigada, mamãe disse que eu estou melhorando muito bem.
Acredito que sim, primeiro preciso ver seus novos exames de sangue, nós começamos a caminhar.
— Sim, sim, claro que esta melhorar, princesas melhoram para encontrar seu príncipe encantado.
— Eu vou conhecer um príncipe?
— Sim, lindo, forte, gentil, amoroso, principalmente, que te ama muito.
Eu deixei ela no tapete do meu consultório, ela correu para pegar o tablete.
— Bom dia doutora.
A mãe da minha paciente disse.
— Bom dia, como tem sido a rotina, ela enjoa muito?
— Não, ela se esforça para comer, brinca muito, espero que os exames revelem melhora.
Minha assistente trouxe os exames, quando li.
— Em breve ela trocará de medicamentos, ela está respondendo muito bem ao tratamento.
— Muito obrigada doutora.
— Estou feliz por vocês, entregue estes documentos na ala da fisioterapia, eles administraram a dosagem.
Eu prescrevi depois assinei.
— Muito obrigada doutora Chloe.
— Já vamos? Eu posso ficar mais um pouco?
— Claro que sim, tenho que atender outros pacientes.
— Claro.