O silêncio depois que Reinaldo e Luna subiram era quase palpável. Ficou pairando no ar como o cheiro metálico do sangue que ainda manchava a pia e o chão. Rita se abaixou, tentando juntar os cacos do copo com cuidado, mas as mãos tremiam. Gabriel a observava sentado à mesa, os cotovelos apoiados e a cabeça entre as mãos, como se o mundo inteiro tivesse acabado de desabar sobre ele. — Eu não acredito que ela fez isso. — murmurou, a voz embargada. Passou a palma pela testa, exasperado. — Realmente não acredito... Rita largou um dos pedaços de vidro na pia e se virou devagar. O rosto dela estava ruborizado, não de vergonha — de raiva. Uma raiva contida há anos, que vinha sendo empurrada pra debaixo do tapete junto com todas as humilhações que engolia por respeito, por necessidade, por medo.

