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Inalcançável

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Sinopse

Luna Diniz tem tudo o que o dinheiro pode comprar — menos empatia. Herdeira mimada de uma das famílias mais tradicionais da cidade, ela sempre viveu cercada de luxo e privilégios, acreditando estar acima de todos, principalmente dos empregados. Mas seu mundo perfeitamente controlado começa a ruir quando Gabriel, o filho da empregada Rita, passa a viver e trabalhar em sua casa.

Inteligente, determinado e de caráter inabalável, Gabriel não abaixa a cabeça para os caprichos de Luna. A convivência entre os dois se transforma rapidamente em uma batalha diária, onde o orgulho fala mais alto — até que a admiração mútua começa a se infiltrar pelas brechas da convivência forçada.

Entre discussões acaloradas e faíscas inesperadas, Luna e Gabriel descobrem que o amor pode nascer nos lugares mais improváveis. Mas será que o sentimento entre eles é forte o suficiente para vencer o preconceito, o passado e as barreiras sociais que os separam?

"Inalcançável" é uma história sobre desconstrução, amadurecimento e a força do amor quando ele desafia tudo — e todos — ao redor.

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Capítulo 1
— Esse café está horrível. — Luna, única filha de Reinaldo e Aline, resmungou para a empregada, que permanecia de pé, ouvindo pacientemente mais uma longa lista de reclamações. — Está fraco e frio. O ovo não tem sal e essa tapioca está dura. Será que você nunca vai aprender a fazer um café da manhã direito? Você já está aqui há quatro anos! — Desculpa, dona Luna. — Rita baixou a cabeça. — Eu vou melhorar. — Já passou da hora de melhorar. — Luna jogou o guardanapo sobre a mesa e se levantou, batendo os pés pelo corredor até desaparecer. Luna sempre fora mimada e tratava os funcionários com impaciência, mesmo quando não tinham culpa. Os pais tentaram corrigi-la de todas as formas, mas, aos dezenove anos, parecia impossível mudar seu jeito. — Bom dia, Rita! — Aline cumprimentou ao sentar-se. — Do que a Luna reclamou desta vez? — De tudo. — Rita deu de ombros. — Se quiser, posso refazer. — Não precisa. Tenho certeza de que está ótimo. A Luna vive procurando motivo para reclamar. — Sorriu para a empregada. — Vou conversar com ela de novo. — Não se incomode, dona Aline. Já nem ligo mais. — Rita tentou minimizar. — Bom dia! — Reinaldo entrou na sala de jantar, beijando a esposa no rosto antes de se sentar. — Tem aquele bolo de laranja fantástico que só você sabe fazer, Rita? Ela abriu um sorriso e apontou para a mesa. — Nunca deixaria faltar. Apesar de Luna, Rita gostava de trabalhar ali. Os patrões eram gentis e valorizavam seu esforço. — Será que posso conversar com vocês sobre uma coisa? — ela perguntou, ficando séria. — Ficou até séria... o que aconteceu? — Aline se inclinou, curiosa. — É sobre o meu filho mais velho. Ele brigou com o pai e vai vir morar comigo. Só que ele também não se dá bem com o meu marido e eles vivem discutindo. — Entendi... — Reinaldo cortou uma fatia de bolo. — E o que você quer saber? — Se ele pode ficar no meu quarto comigo durante a semana. — Rita falou com certo constrangimento. — Ele é estudioso, um bom menino, e vai passar a maior parte do tempo lá. — Calma, Rita. — Aline sorriu para tranquilizá-la. — Não precisa ficar nervosa. — É que não quero abusar... — O quarto é seu, mas você acha que cabe mais alguém lá? — Reinaldo perguntou. — A gente se ajeita. Já passamos por isso antes. — Ele estuda, trabalha...? — Aline quis saber. — Estudava em Minas, por isso morava com o pai. Agora vai procurar emprego. — Quantos anos ele tem? — Reinaldo continuou. — Vinte. — Ele pode ficar, sim. — Reinaldo assentiu. — E, se quiser, pode trabalhar aqui conosco. Rita arregalou os olhos. — Pode ajudar nas tarefas mais pesadas, na limpeza da piscina e com o Chico no jardim. — Ah, eu não acredito! — ela exclamou, empolgada. — Muito obrigada! — Nesse caso, vamos colocá-lo no quarto ao lado do seu, já que também será funcionário. Assim vocês não ficam apertados. — Aline explicou, e Rita concordou rapidamente. — Quando ele chegar, peça para vir falar comigo, certo? — Reinaldo sorriu. Rita agradeceu mais uma vez e saiu da sala, deixando os patrões em paz. Na área externa, Kátia, a empregada folguista, perguntou: — E aí? Deu certo? — Mais que isso! Eles até ofereceram emprego pra ele. — Rita m*l conseguia conter o sorriso. — Dona Aline e seu Reinaldo são muito gentis. — Nem parece que aquela menina malcriada é filha deles. — Kátia cochichou, arrancando um riso de Rita. — Não faz essa cara, sei que você pensa o mesmo. — E quem não pensa? — outra funcionária comentou, juntando-se à conversa. — Aquela garota não lava nem um copo. — Desde criança ela teve tudo na mão. — Rita suspirou. — E continua m*l-educada. — Kátia completou. — Ser rico não é desculpa para não ter bons modos. — Vamos parar de falar dos patrões e trabalhar? — Rita encerrou, voltando para a cozinha. — Tenho muito o que fazer. Pouco depois, Rita ligou para o filho e contou a novidade. Gabriel era educado, estudioso e extremamente carinhoso com a mãe, mas vivia em conflito com o padrasto. Em Minas, havia discutido com o pai por causa da faculdade. Carlos queria que ele se dedicasse apenas aos estudos, mas a falta de dinheiro o impedia de manter esse ritmo. A discussão terminou com Gabriel trancando o curso e voltando para o Rio. Dois dias depois, ele chegou à mansão da família Diniz. — Que bom que você voltou! — No pequeno quarto, Rita abraçou o filho com força. — Estava morrendo de saudades. — Eu também, mãe. Meu lugar não é lá. — Ele suspirou. — Só não quero que interrompa os estudos. Vai terminar sua faculdade aqui. — Mãe, não começa a querer me controlar igual ao Carlos. — Gabriel revirou os olhos. — Eu preciso trabalhar, além de estudar. Já tenho vinte anos. — Não é errado a gente querer que você tenha um bom futuro. — Rita cruzou os braços. — Até hoje não entendi por que brigou com seu pai e veio embora. — Porque ele é cabeça dura. — Bufou. — Vou concluir o curso aqui, trabalhando para pagar uma boa faculdade. — E vai conseguir. Aliás, dona Aline disse que você pode trabalhar aqui. — Aqui? Fazendo o quê? — Ajudando nas tarefas mais pesadas, no jardim... como um faz-tudo. Gabriel abriu um sorriso. — Seu Reinaldo pediu para você falar com ele quando chegasse, mas ele não está em casa agora. — Então me avisa quando ele voltar. Vou tomar um banho. — Descansa, meu filho. — Rita o beijou e voltou ao trabalho.

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