– Está bem errado. – Ela deu um sorriso. – Ninguém manda em mim.
– Não parece. – Ergueu uma sobrancelha, desconfiado. – Parece que você é bem p*u mandada, igual a morena.
– Somos amigas desde a infância. – Deu de ombros. – Luna tem um gênio forte e controlador, mas ela só dá opinião até onde eu deixo.
– Então ela não deu opinião sobre você estar aqui do meu lado? – Ele aproximou o rosto do dela. – Difícil acreditar.
– Se você olhar pra trás vai conseguir ver a raiva na cara dela e com certeza vai acreditar. – Tinha a voz sedutora. Gabriel olhou para trás e instantaneamente sorriu mais. – Viu só, puramente a minha vontade.
– E a sua vontade é de quê? – Os dois continuavam bem perto.
– Primeiro de saber se você é solteiro. – Sorriu com a cara de p*u. – Segundo para saber se eu te interesso, porque você com certeza me interessa.
– Você é bem direta. – Deu risada. Pelo pouco que conhecia, gostava de Ângela. Não teve tempo de responder mais nada, um professor adentrou a sala e o silêncio reinou. A aula estava em curso.
– Sua próxima aula é qual? – Ângela perguntou curiosa. – A minha é economia.
– Economia. – Disse olhando o papel com a grade. – Todo mundo tem as mesmas aulas aqui?
– Basicamente quando as pessoas estão no mesmo curso e período, sim.
– Que estranho. – Franziu a testa. – Na minha antiga faculdade era tudo misturado. Vários cursos, vários períodos.
– Sério? – Estranhou. – Bem diferente!
– Será que a senhorita pode me guiar até a sala da próxima aula? – Ângela riu.
– Você não acha que está me devendo uma resposta? – Foi a vez dele rir, estava sem graça.
– Sim, estou solteiro. – Deu de ombros. – Mas não procurando relação nenhuma.
– Eu tenho cara de quem quer relação? – Ela cruzou os braços. – Eu gosto de rolo, e o que der, deu.
– Você é bem pra frente né? – Deu uma gargalhada enquanto andava pelos corredores da faculdade. – Um tanto diferente das meninas que conheço.
– E isso é r**m? – Sorriu.
– Não. – Sorriu e beijou Ângela ali, no meio do corredor. As pessoas passavam sem dar a mínima, menos uma.
Luna vinha passando com Melissa e viu aquela pegação no corredor. A morena notou algo diferente na expressão da amiga, mas logo Luna tratou de disfarçar.
– Procurem um quarto. – Disse ao passar pelos dois andando rápido. Entrou na sala e sentou no fundo, acompanhada de Melissa. – Que papelão!
– Você parece incomodada.
– Claro que estou. – Bufou. – Ângela não devia sair beijando os outros fácil assim, ela nem conhece esse cara.
– Ah, Luna! – Debochou. – Me poupa! Ângela faz isso o tempo todo e você nunca se incomodou.
– Eu não posso comentar com você as coisas? – Cruzou os braços. – Dá um tempo, Melissa. – Virou para frente, professor já estava lá.
Já na hora da saída, Luna encontrou com Ângela e Gabriel na entrada. O motorista estava esperando Luna que sempre dava carona as meninas.
– Gabriel vai com a gente. – O moreno arregalou os olhos, assim como Luna.
– Só se eu tiver morta. – Bufou.
– Eu jamais entraria no seu carro mesmo se fosse convidado. – Respondeu a loira. – Não precisa se preocupar.
– E está fazendo o quê aqui parado? – Alfinetou. – Certeza que estava esperando carona.
– Acompanhando a Ângela enquanto vocês não chegavam. – Rolou os olhos. – Sempre andei de ônibus. Não vou morrer por mais um dia.
– Mas que palhaçada, você mora na casa dela, normal que pegue carona também. – Ângela defendia.
– Deixa, Ângela. – Fez carinho no rosto da ficante. – Até amanhã. – Iniciou um beijo que deixou Luna tão incomodada que entrou no carro.
– Não vai deixar mesmo de implicar com o Gabi? – Ângela perguntou depois de muitos minutos de silêncio.
– Não. – Rolou os olhos. – Ninguém mandou você ir ficar com ele.
– Para de criancice. – Bufou. – Você tá velha.
– Você ficou com ele um dia e já mudou de lado?
– Não tem lado nenhum. – Reclamou. – Só acho besteira, o cara não te fez nada!
– Nada? Você já viu o jeito que fala comigo?
– Já viu o jeito que fala com ele? – Continuou a defender. – Não tem sentido essa briga. Trata a mãe dele bem e acaba o problema.
– É, você realmente virou para o lado dele. – Encostou a cabeça no vidro e ficou em silêncio.
Motorista deixou as meninas em casa como sempre e logo Luna também chegou. Reinaldo tinha o computador no colo, estava sentado no sofá. Parecia concentrado.
– Oi, pai. – Disse completamente desanimada.
– Oi, filhinha. – Sorriu. – Como foi na faculdade? E Gabriel, cadê?
– Eu sei lá, quer que eu dê conta dele também? – Disse com raiva. – Todo mundo agora só tem esse assunto.
– Mas que estresse é esse? – Colocou o notebook na mesa de centro. – Perguntei porque foi o primeiro dia dele e porque achei que viriam juntos.
– Juntos? – Debochou. – Ele que venha de ônibus.
– Você deixou ele pra trás? – Cruzou os braços. – Sendo que vinham para o mesmo lugar?
– Primeiro dia de aula e ele está pegando minha amiga. – Reinaldo notou raiva na voz dela. – PRIMEIRO DIA.
– E o que você tem a ver? – Prendeu o riso.
– Só o que me faltava era Gabriel e Ângela namorando.
– Tá com ciúmes? – Riu escancarado.
– Ah, por favor né. – Ficou de pé, ia subindo, mas ouviu Gabriel chegando. – E aí como foi a volta de ônibus? – Debochou, Gabriel balançou a cabeça em negativa.
– Você está zombando de mim porque eu voltei de ônibus? – Cruzou os braços. Reinaldo observava do sofá com um esboço de sorriso. – Você acha que fez uma super maldade comigo? Maldade seria voltar com você num carro.
– Ei! – Protestou.
– Ué, pra mim r**m é dividir espaço com você, prefiro com estranhos. – Caminhou em direção ao quarto dele e Reinaldo permitiu-se rir.
– Está rindo do quê, pai? – Ele não respondeu e ela subiu as escadas soltando fogo pelas ventas, esbarrou na mãe que vinha descendo e nem se desculpou.
– O que aconteceu? – Aline perguntou ao marido.
– Gabriel deu a ela respostas bem dadas e ela ficou com raiva. – Continuava rindo.
– E você acha graça?
– Meu amor, Luna tenta pisar nele, mas ele reage, por isso que ela tem tanta raiva. E além disso, ela gosta dele.