Rita respirou fundo, o rosto impassível, e se levantou da cadeira. Foi até a bancada, abriu a geladeira e começou a preparar o suco em silêncio. O barulho da jarra batendo contra o liquidificador foi o único som no cômodo por alguns segundos. Aline continuava com os braços cruzados e o olhar duro. — Pode olhar feio o quanto quiser, mãe. — disse Luna, mexendo o biscoito entre os dedos. — Eu já falei e vou repetir: não vou dar mole pra ninguém. Quem é bobo e se importa com o que vocês pensam é o Gabriel, não eu. Aline arqueou uma sobrancelha, o tom gelado. — Que lindo ouvir isso da minha própria filha. — Ah, não vem dramatizar. — revirou os olhos. — Eu só tô dizendo a verdade. Se ele quer ficar se culpando por tudo o que a gente faz, é problema dele. Eu não vou viver com medo de vocês.

