Percorro com o dedo todas as cicatrizes.
- Quando soube que não havia mais esperança...
- Existe uma esperança.
Digo olhando pra ela e envolvendo minha mão em seu pulso, como se segurando ela assim, pudesse apagar essa marca. Como se eu pudesse tirar a dor e as marcas de luta do seu corpo com tudo isso.
- Um transplante é quase impossível, Miguel!
- Quase não significa que não existe. Ainda há uma esperança.
Priscila fecha os olhos e respira fundo.
- Não possuo mais um pingo de fé em meu corpo.
Sussurra e abre os olhos, voltando a me encarar.
- Só peço a Deus para os dias passarem logo e que seja sem dor.
Seus olhos brilham pelas lágrimas que os invadem.
- Não aguento mais...
Suas lágrimas vão caindo e a puxo pra mim.
Solto seu pulso e abraço seu corpo tão forte, que quase viramos um corpo só. Ela chora em meu peito e me sinto impotente. Queria tanto poder fazer alguma coisa, poder cura-la de algum jeito.
- Você não precisa ver seus dias assim.
Digo beijando sua cabeça.
- Você não precisa sentar e esperar o fim ou o recomeço, caso consiga o transplante.
- Não vou viver uma vida normal, se é isso que quer. Não vou viver entre as pessoas como se nada estivesse acontecendo e no fim causar o choro de muitos.
- Você não pode viver sozinha.
- Posso!
Tenta sair dos meus braços, mas a impeço.
- Não pense em me afastar.
Digo firme e sua cabeça se ergue.
- Você é um homem maravilhoso. Possui qualidades que qualquer mulher adoraria em uma pessoa. É lindo, carinhoso e gentil. Doe seus momentos com alguém que no futuro, poderá rir com você dessas lembranças e sorrir com o amor de anos.
Subo minha mão e suavemente acaricio seu rosto, sentindo sua pele em meus dedos.
- Quero doar meus momentos a você.
- Você não pode...
Volta a chorar.
- Os momentos são meus e decido a quem doar.
Seguro seu queixo e a forço a manter os olhos nos meus.
- Não... me ... afaste...
Digo pausadamente pra que entenda. Pra que entre em sua cabeça.
- Eu não vou embora! Não vou te deixar.
- E se você se apaixonar? E se você me amar? E se você sofrer no fim?
- Não terei você aqui para rir comigo dos nossos momentos, mas pode ter certeza que os guardarei com muito amor aqui...
Solto seu queixo e aponto para o meu peito.
- Cada segundo com você vale a pena. E se você não tem mais um pingo de fé no seu corpo, tenho o suficiente no meu.
- Não quero sonhar...
- Não é pra sonhar... é pra viver e ser feliz.
Desço meus lábios, aproximando dos dela.
- Apenas não fuja e deixa acontecer.
Roço meus lábios de leve nos dela.
- Me deixa entrar na sua vida e faça parte da minha.
- Não me responsabilizo pelo estrago que farei na sua vida. Sou um caminhão sem freio, com um motorista cego dirigindo, fazendo curvas na serra.
- Posso tornar a serra de borracha para você não se machucar.
- Sabe que isso é impossível.
- Não para minha fé.
Beijo seus lábios de leve e deslizo suavemente várias vezes neles.
- Vai me beijar ou continuar me torturando?
- Torturando!
Respondo sorrindo e sua mão vem pra minha nuca, segurando com força.
- Não se tortura uma doente.
Avança a boca na minha e me beija com vontade. Seus lábios exigindo os meus e sua língua pedindo passagem.
Seu corpo vem roçando no meu e ela está quase subindo em mim.
- Priscila!
Falo entre o beijo, mas ela não me dá atenção.
- Priscila!
Então seu corpo sobe no meu, suas pernas se encaixam nas laterais e seu sexo está sobre o meu meio volume na calça.
- Você... não... está...
Ela não me deixa concluir uma frase se quer. Ergo minhas mãos e seguro seu rosto, afastando nossos lábios.
- Vai ficar sem ar.
Digo ofegante e vejo que sua respiração está pesada.
- Não me importo.
Fala com cara de safada.
- Faz tanto tempo que não beijo. Senti falta disso.
Se inclina e volta a me beijar.
- Tão bom!
Geme entre o beijo e conforme rebola sobre meu m****o, ele vai crescendo e ficando apertado. Chega a doer dentro da cueca sem espaço. Priscila parece querer tirar o atraso, mas se continuar assim, posso perder o controle e ela não está bem para isso.
- Só um minuto!
Peço agarrando seu braço e a virando pra cama. Tiro ela de cima de mim e respiro fundo, pra controlar a ereção.
- O que foi?
- Estava causando um alvoroço grande onde não devia.
Posso ver seus olhos indo para o meu volume.
- Oh meu Deus! Agora é a hora em que me violenta e me mata, como um bom assassino?
Finge estar assustada e bate seus longos cílios.
- Queria ter forças para fugir, mas estou debilitada demais.
Deita por completo na cama e abre pernas e braços.
- Me use, abuse e faça de mim sua vítima.
É impossível não rir desta cena.
- Não farei esforço algum para impedi-lo. Apenas me prometa que antes de me matar, me dará prazer.
- Estou me apaixonando pelo seu humor n***o e sua imaginação fértil.
- Você ainda não viu meu humor n***o de verdade.
Se vira e fica de lado pra mim. Deita a cabeça em seu braço.
- Ainda não vi?
Nega com a cabeça.
- O que ele pensa disso tudo?
- Você não vai querer saber.
Fico de lado, encarando seus enormes olhos azuis.
- Por que não vou querer saber?
- Por que se ele se manifestar, nunca mais me tocará.
Fico sem entender nada.
- Como assim?
Priscila ignora minha pergunta e vira o corpo pra cima, encarando o teto e as estrelas sobre nós.
- Priscila... não me ignore.
- Você já reparou nas estrelas?
- Não muda de assunto.
Respira fundo e fecha os olhos.
- Sabe o que meu humor n***o fala de tudo isso?
- O que?
Vira a cabeça e me olha intensamente.
- Ele pede pra que você me ame com intensidade pra que meu coração pare de bater e eu morra assim.
Volta a olhar o teto.
- Agora você pode criar mil formas em sua cabeça de como não me matar, enquanto tenta ficar comigo.
- Acha que seu humor n***o me deu medo?
- Acho! Serei uma bomba relógio prestes a explodir.
- Seu humor n***o não sabe muito sobre mim.
Vou pra cima de Priscila e sento sobre suas pernas.
- O que vai fazer?
- Vamos conhecer seu corpo. Quero aprender meus limites.
- O que?
- O assassino aqui vai fazer uma tortura com você, até conhecer o seu limite.
- Isso é a maior besteira que já ouvi.
Ignoro o que fala e abro seu roupão. A primeira coisa que me chama atenção é saber que está nua. A segunda coisa que me choca são suas cicatrizes no peito.
- Sei que são horríveis.
Sua voz é baixa e sinto dor em cada palavra.
- Não são horríveis.
Me curvo e beijo uma delas.
- São as marcas de uma luta.
Beijo outra marca e ela suspira.
- Elas me dizem o quanto você é forte.
Deito minha cabeça sobre seu peito e posso ouvir as batidas lentas e fracas de seu coração. Fecho meus olhos e tento memorizar o ritmo de seus batimentos. Sinto a mão de Priscila em meu cabelo e ela começa um leve cafuné.
- Seus batimentos podem não ser fortes, mas é o som mais lindo que já ouvi.