CAPÍTULO 6

1305 Palavras
Percorro com o dedo todas as cicatrizes. - Quando soube que não havia mais esperança... - Existe uma esperança. Digo olhando pra ela e envolvendo minha mão em seu pulso, como se segurando ela assim, pudesse apagar essa marca. Como se eu pudesse tirar a dor e as marcas de luta do seu corpo com tudo isso. - Um transplante é quase impossível, Miguel! - Quase não significa que não existe. Ainda há uma esperança. Priscila fecha os olhos e respira fundo. - Não possuo mais um pingo de fé em meu corpo. Sussurra e abre os olhos, voltando a me encarar. - Só peço a Deus para os dias passarem logo e que seja sem dor. Seus olhos brilham pelas lágrimas que os invadem. - Não aguento mais... Suas lágrimas vão caindo e a puxo pra mim. Solto seu pulso e abraço seu corpo tão forte, que quase viramos um corpo só. Ela chora em meu peito e me sinto impotente. Queria tanto poder fazer alguma coisa, poder cura-la de algum jeito. - Você não precisa ver seus dias assim. Digo beijando sua cabeça. - Você não precisa sentar e esperar o fim ou o recomeço, caso consiga o transplante. - Não vou viver uma vida normal, se é isso que quer. Não vou viver entre as pessoas como se nada estivesse acontecendo e no fim causar o choro de muitos. - Você não pode viver sozinha. - Posso! Tenta sair dos meus braços, mas a impeço. - Não pense em me afastar. Digo firme e sua cabeça se ergue. - Você é um homem maravilhoso. Possui qualidades que qualquer mulher adoraria em uma pessoa. É lindo, carinhoso e gentil. Doe seus momentos com alguém que no futuro, poderá rir com você dessas lembranças e sorrir com o amor de anos. Subo minha mão e suavemente acaricio seu rosto, sentindo sua pele em meus dedos. - Quero doar meus momentos a você. - Você não pode... Volta a chorar. - Os momentos são meus e decido a quem doar. Seguro seu queixo e a forço a manter os olhos nos meus. - Não... me ... afaste... Digo pausadamente pra que entenda. Pra que entre em sua cabeça. - Eu não vou embora! Não vou te deixar. - E se você se apaixonar? E se você me amar? E se você sofrer no fim? - Não terei você aqui para rir comigo dos nossos momentos, mas pode ter certeza que os guardarei com muito amor aqui... Solto seu queixo e aponto para o meu peito. - Cada segundo com você vale a pena. E se você não tem mais um pingo de fé no seu corpo, tenho o suficiente no meu. - Não quero sonhar... - Não é pra sonhar... é pra viver e ser feliz. Desço meus lábios, aproximando dos dela. - Apenas não fuja e deixa acontecer. Roço meus lábios de leve nos dela. - Me deixa entrar na sua vida e faça parte da minha. - Não me responsabilizo pelo estrago que farei na sua vida. Sou um caminhão sem freio, com um motorista cego dirigindo, fazendo curvas na serra. - Posso tornar a serra de borracha para você não se machucar. - Sabe que isso é impossível. - Não para minha fé. Beijo seus lábios de leve e deslizo suavemente várias vezes neles. - Vai me beijar ou continuar me torturando? - Torturando! Respondo sorrindo e sua mão vem pra minha nuca, segurando com força. - Não se tortura uma doente. Avança a boca na minha e me beija com vontade. Seus lábios exigindo os meus e sua língua pedindo passagem. Seu corpo vem roçando no meu e ela está quase subindo em mim. - Priscila! Falo entre o beijo, mas ela não me dá atenção. - Priscila! Então seu corpo sobe no meu, suas pernas se encaixam nas laterais e seu sexo está sobre o meu meio volume na calça. - Você... não... está... Ela não me deixa concluir uma frase se quer. Ergo minhas mãos e seguro seu rosto, afastando nossos lábios. - Vai ficar sem ar. Digo ofegante e vejo que sua respiração está pesada. - Não me importo. Fala com cara de safada. - Faz tanto tempo que não beijo. Senti falta disso. Se inclina e volta a me beijar. - Tão bom! Geme entre o beijo e conforme rebola sobre meu m****o, ele vai crescendo e ficando apertado. Chega a doer dentro da cueca sem espaço. Priscila parece querer tirar o atraso, mas se continuar assim, posso perder o controle e ela não está bem para isso. - Só um minuto! Peço agarrando seu braço e a virando pra cama. Tiro ela de cima de mim e respiro fundo, pra controlar a ereção. - O que foi? - Estava causando um alvoroço grande onde não devia. Posso ver seus olhos indo para o meu volume. - Oh meu Deus! Agora é a hora em que me violenta e me mata, como um bom assassino? Finge estar assustada e bate seus longos cílios. - Queria ter forças para fugir, mas estou debilitada demais. Deita por completo na cama e abre pernas e braços. - Me use, abuse e faça de mim sua vítima. É impossível não rir desta cena. - Não farei esforço algum para impedi-lo. Apenas me prometa que antes de me matar, me dará prazer. - Estou me apaixonando pelo seu humor n***o e sua imaginação fértil. - Você ainda não viu meu humor n***o de verdade. Se vira e fica de lado pra mim. Deita a cabeça em seu braço. - Ainda não vi? Nega com a cabeça. - O que ele pensa disso tudo? - Você não vai querer saber. Fico de lado, encarando seus enormes olhos azuis. - Por que não vou querer saber? - Por que se ele se manifestar, nunca mais me tocará. Fico sem entender nada. - Como assim? Priscila ignora minha pergunta e vira o corpo pra cima, encarando o teto e as estrelas sobre nós. - Priscila... não me ignore. - Você já reparou nas estrelas? - Não muda de assunto. Respira fundo e fecha os olhos. - Sabe o que meu humor n***o fala de tudo isso? - O que? Vira a cabeça e me olha intensamente. - Ele pede pra que você me ame com intensidade pra que meu coração pare de bater e eu morra assim. Volta a olhar o teto. - Agora você pode criar mil formas em sua cabeça de como não me matar, enquanto tenta ficar comigo. - Acha que seu humor n***o me deu medo? - Acho! Serei uma bomba relógio prestes a explodir. - Seu humor n***o não sabe muito sobre mim. Vou pra cima de Priscila e sento sobre suas pernas. - O que vai fazer? - Vamos conhecer seu corpo. Quero aprender meus limites. - O que? - O assassino aqui vai fazer uma tortura com você, até conhecer o seu limite. - Isso é a maior besteira que já ouvi. Ignoro o que fala e abro seu roupão. A primeira coisa que me chama atenção é saber que está nua. A segunda coisa que me choca são suas cicatrizes no peito. - Sei que são horríveis. Sua voz é baixa e sinto dor em cada palavra. - Não são horríveis. Me curvo e beijo uma delas. - São as marcas de uma luta. Beijo outra marca e ela suspira. - Elas me dizem o quanto você é forte. Deito minha cabeça sobre seu peito e posso ouvir as batidas lentas e fracas de seu coração. Fecho meus olhos e tento memorizar o ritmo de seus batimentos. Sinto a mão de Priscila em meu cabelo e ela começa um leve cafuné. - Seus batimentos podem não ser fortes, mas é o som mais lindo que já ouvi.
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