Capítulo 3:
Gabriel, o meu homem.
Após desligar a chamada com Betânia, Laura ficou no sofá, abraçando uma almofada enquanto sua mente girava em mil direções. As palavras da amiga ecoavam dentro dela como um conselho que há muito tempo precisava ouvir: "Seguir o coração". Mas e se ela nem soubesse mais o que o coração queria?
Gabriel estava no quarto, arrumando algumas coisas para a viagem à fazenda do pai no fim de semana. Ele era o tipo de homem que qualquer pessoa consideraria perfeito para construir uma vida.
Gentil, trabalhador, carinhoso. E ainda assim, Laura não conseguia se livrar da sensação de que algo estava fora do lugar.
Ela se levantou e foi até a varanda, onde a noite começava a cair. O céu estava tingido de tons alaranjados, e a brisa fresca da tarde acariciava seu rosto. Era um daqueles momentos em que ela costumava encontrar conforto, mas, dessa vez, só sentia inquiet4çã0.
"Cinco anos de noivado", pensou Laura.
Gabriel nunca tinha pressionado por uma data de casamento, sempre dizendo que queria que tudo fosse perfeito para eles. Mas será que esse tempo todo não era um reflexo do que ela temia admitir? Será que, no fundo, ela mesma estava adiando algo porque não tinha certeza se era isso que queria?
A proposta de Rafael voltou à sua mente. Trabalhar com a ONG na Amazônia parecia uma aventura incrível, uma chance de fazer algo que sempre sonhou: cuidar de animais em um dos ecossistemas mais ricos e desafiadores do mundo. Era o tipo de oportunidade que fazia seu coração bater mais rápido, mas também trazia um peso enorme. Largar tudo por alguns meses significava deixar Gabriel, sua clínica e toda a estabilidade que havia construído. Seria isso egoísmo?
Laura pegou o celular novamente e abriu o e-mail que Rafael havia enviado. Lá estavam os detalhes da proposta: duração do projeto, as espécies que trabalhariam, e até mesmo o impacto social da iniciativa. Tudo parecia perfeito, mas a dúvida continuava ali, como um nó no estômago.
Ao voltar para dentro, encontrou Gabriel na sala, mexendo no laptop. Ele olhou para ela e sorriu.
— Está tudo bem, amor? Você parece preocupada.
Laura hesitou, mas sentiu que precisava dividir seus pensamentos com ele.
— Estava pensando na ligação que tive hoje com Betânia. Ela me convidou para passar umas férias em Portugal, na casa dela. Disse que seria uma boa forma de eu clarear a mente, sabe?
Gabriel ergueu as sobrancelhas, claramente surpreso.
— Umas férias em Portugal? Isso seria incrível para você, Laura. Você trabalha tanto, m4l tem tempo para si mesma. Mas… você realmente acha que precisa disso agora?
Laura suspirou, sentando-se ao lado dele.
— Eu não sei, Gabriel. Às vezes sinto que estou tão focada na rotina que me perdi no meio do caminho. Acho que o convite de Betânia é uma chance de respirar, de sair um pouco dessa bolha e, quem sabe, enxergar as coisas com mais clareza.
Gabriel segurou a mão dela, seu olhar carregado de compreensão.
— Se é isso que você precisa, eu apoio. Mas será que a viagem para a fazenda não pode ajudar também? Lá é tranquilo, sem tantas distrações. Podemos passar um tempo juntos e conversar sobre tudo isso.
Mais tarde, enquanto arrumava algumas coisas no quarto, Laura pegou um álbum antigo de fotos. Havia imagens dela e Gabriel em várias fases do relacionamento: viagens, momentos descontraídos, festas. Eles sempre pareciam tão felizes. No entanto, ao observar mais de perto, percebeu que, nos últimos anos, a mesma expressão surgia em seu rosto em quase todas as fotos: uma leve melancolia escondida atrás de um sorriso.
O que Betânia disse fazia sentido. Talvez ela estivesse ignorando os sinais do que realmente queria, com medo de desagradar alguém ou até mesmo de enfrentar a si mesma. A proposta de Rafael e o convite de Betânia pareciam caminhos opostos, mas ambos representavam algo que Laura precisava desesperadamente: uma pausa.
Ela fechou o álbum e se sentou na beira da cama. Se fosse para a fazenda com Gabriel, sabia que ele faria de tudo para que o fim de semana fosse especial. Mas seria suficiente? Ou seria apenas mais uma tentativa de mascarar as dúvidas que não conseguia ignorar?
E quanto a Portugal? O convite de Betânia parecia uma janela para algo novo, uma oportunidade de se reconectar com quem ela era antes de todas as responsabilidades e compromissos. A ideia da Festa da Uva, cheia de cultura e celebração, parecia irresistível. Talvez fosse exatamente o tipo de inspiração que ela precisava.
Laura respirou fundo. Sabia que não poderia decidir tudo de uma vez, mas já havia tomado a primeira decisão: iria para a fazenda com Gabriel no fim de semana, mas também começaria a planejar sua viagem a Portugal. Uma pausa não era fuga. Era uma chance de se redescobrir e, quem sabe, finalmente entender o que realmente faltava em sua vida.
Ela sorriu, tocada pela paciência e gentileza dele. Gabriel sempre tentava ser o porto seguro dela, mas, naquele momento, Laura sabia que o problema não era algo que ele pudesse resolver. Era algo dentro dela, uma inquietação silenciosa, uma sensação de que sua vida precisava de algo além daquela rotina previsível.
— Talvez. Vou pensar sobre isso — respondeu, desviando o olhar, tentando não demonstrar a confusão que sentia.
Gabriel se aproximou, sentou-se ao lado dela e a deitou no sofá, inclinando-se sobre seu corpo. Seus olhos escuros encontraram os dela, repletos de intensidade.
— Você sabe que eu te amo, não sabe? — perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.
— Hum hum! Sei — respondeu Laura, sorrindo de leve.
— Que você é a mulher da minha vida?
— Hum... Isso não sei — provocou, mordendo o lábio, divertida.
— Então deixa eu te mostrar que é — sussurrou, descendo os lábios até o pescoço dela.
O beijo foi intenso, cheio de desejo. Gabriel deslizou as mãos pela cintura de Laura, sentindo o calor do corpo dela responder ao toque. Ele se encaixou nela com urgência, arrancando gemidos de prazer que preenchiam o ambiente.
— Já estou te convencendo? — perguntou, com um sorriso malici0s0, mantendo o ritmo.
— Ainda não — respondeu ela, com a voz abafada pelo prazer crescente.
Gabriel aumentou a intensidade dos movimentos, enterrando o rosto na curva do pescoço de Laura. O cheiro doce da pele dela o inebriava, e o som suave dos gemid0s dela o levava à loucura.
— Não é isso que seus gemidos dizem — murmurou, apertando-a contra si.
— O que meus gemidos dizem? — perguntou Laura, com dificuldade, tentando manter o controle.
Gabriel deslizou os lábios até o ouvido dela, mordendo o lóbulo levemente antes de responder:
— Que você é só minha. Sempre foi. Sempre será.
Laura sentiu o corpo inteiro estremecer com a int3nsidad3 daquelas palavras. Era como se, naquele momento, apenas eles existissem. Ela tentou resistir à sensação de entrega total, mas o toque firme e apaixonado de Gabriel a puxava cada vez mais para um abismo de des3jo.
E, mesmo que não admitisse em voz alta, naquele instante, ela sabia que Gabriel tinha razão.