Capítulo 37

402 Palavras
Vozes, Verdades e um Sonho em Construção Um mês havia se passado desde o pedido, e a ilha já não sussurrava — comentava abertamente. O namoro de Alicia com Alex e Alan era assunto recorrente, atravessando corredores, varandas e, principalmente, a cozinha. Alicia percebia. Não precisava olhar para confirmar. Bastava entrar no ambiente e captar frases soltas, risadinhas contidas, pausas repentinas quando ela se aproximava. — Dizem que é sério… — Ouvi falar em casamento… — Será que é verdade mesmo? Ela mantinha a postura, concentrada no que fazia, mas o coração batia mais rápido a cada comentário. Não era vergonha. Era o peso de ser observada, julgada, imaginada. Foi então que Alex e Alan entraram juntos na cozinha. O burburinho cessou como se alguém tivesse girado um botão invisível. Talheres pararam no ar, panelas ficaram imóveis, olhares curiosos se fixaram neles. Alex apoiou as mãos na bancada; Alan ficou ao lado, firme, tranquilo. — A gente veio esclarecer uma coisa — disse Alex, com a voz segura. Alan continuou: — As fofocas acabam aqui. Um silêncio atento se instalou. — Eu, meu irmão e a Alicia estamos noivos — afirmou Alex, sem rodeios. — E não há nada de escondido, errado ou indefinido nisso. Algumas bocas se abriram, outras sorriram, outras apenas assentiram, surpresas. — Ela é nossa escolha — completou Alan. — E esperamos respeito. Alicia sentiu os olhos marejarem. Não pelo anúncio em si, mas pela forma como foi feito: clara, firme, protetora. A cozinha, aos poucos, retomou o fôlego. Uma cozinheira mais antiga sorriu e disse: — Então… parabéns aos três. O clima mudou. O peso se dissolveu. No almoço, já em casa, o assunto era outro — futuro. Alex espalhou algumas plantas e fotos sobre a mesa. — Pensamos em duas opções — explicou. — Uma casa pronta, confortável, prática… ou— — Construir do zero — completou Alan. — Como sempre sonhamos. Cada detalhe pensado por nós. Alicia passou os dedos pelas imagens, imaginando janelas, um quintal, a luz entrando pela manhã. Uma casa que não fosse apenas paredes, mas começo. — Vocês querem que eu decida? — perguntou, emocionada. — Queremos que seja nossa decisão — disse Alex, sorrindo. Alan segurou a mão dela: — Mas queremos ouvir seu coração. Alicia respirou fundo. Pela primeira vez, não havia fofocas, nem cochichos. Só escolhas, sonhos e um futuro que, enfim, podia ser dito em voz alta.
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