Capítulo 38

624 Palavras
Onde o Sonho Começa Alicia ficou alguns segundos em silêncio, observando as imagens espalhadas sobre a mesa. Casas prontas, organizadas, perfeitas… e, ao lado, os esboços simples de algo ainda por nascer. Ela fechou os olhos por um instante, respirou fundo e então sorriu. — Eu quero construir — disse, enfim. — Do começo. Do nosso jeito. Alex e Alan não esconderam a alegria. Alex foi o primeiro a reagir, segurando o rosto dela com cuidado e encostando a testa na sua. — Era o que a gente sonhava — murmurou. Alan envolveu Alicia num abraço por trás, apoiando o queixo em seu ombro. — Uma casa que tenha a nossa história em cada canto — completou. Alicia riu, sentindo o coração aquecido. Recebeu um beijo suave de cada um, cheios de carinho e promessa, sem pressa, sem necessidade de palavras. Não era só uma decisão sobre paredes e telhado; era sobre pertencimento. Pouco depois, a rotina chamou. Alex ajeitou o paletó, já pensando nos compromissos da delegacia. — Tenho audiência cedo — disse, dando um último beijo na testa de Alicia. Alan pegou a pasta de médico, sorrindo: — Plantão hoje. Mas volto cedo. Alicia vestiu o avental, o olhar mais leve do que nunca. — A cozinha me espera — respondeu, com um sorriso confiante. Eles se despediram na porta, trocando olhares cúmplices. Cada um seguiu para seu serviço, levando consigo a certeza de que, ao final do dia, não voltariam apenas para uma casa qualquer… mas para o sonho que começava a ser construído, tijolo por tijolo, juntos. Terreno dos Três O carro avançava pela estrada de terra batida, ladeada por árvores baixas e o cheiro de mato fresco. Alex dirigia com atenção, enquanto Alan consultava algumas anotações no celular. Alicia observava tudo pela janela, tentando gravar cada detalhe daquele lugar que, em breve, deixaria de ser apenas um terreno vazio. Ali seria o lar deles. O portão simples se abriu, revelando o espaço amplo, o solo limpo, o horizonte aberto. Alicia desceu do carro com cuidado, o coração acelerado. Imaginou paredes, risos, uma cozinha cheia de vida. — É aqui — disse Alex, orgulhoso. — Nosso começo. A equipe responsável pela obra já os aguardava: o arquiteto, o engenheiro e o mestre de obras. Plantas foram abertas sobre o capô do carro, prazos discutidos, ideias trocadas. Alan falava com segurança; Alex fazia perguntas práticas. Alicia ouvia atenta, absorvendo tudo. Na volta, o silêncio no carro não passou despercebido. Alicia estava quieta demais. Alan virou-se levemente no banco, observando-a pelo retrovisor. — Amor… aconteceu alguma coisa? Ela demorou alguns segundos para responder, como se organizasse os próprios sentimentos. — Eu estava pensando… — começou, com a voz baixa. — Essa casa é nossa. Eu quero ajudar também. Quero contribuir com as contas, com a construção, com tudo. Alex diminuiu a velocidade e trocou um olhar rápido com o irmão. Alan estendeu a mão para trás, tocando os dedos dela. — Alicia, você já faz parte — disse Alan, com suavidade. — Mas eu preciso sentir que ajudo de verdade — completou ela. — Não só com carinho. Com responsabilidade. Alex encostou o carro no acostamento por um instante e virou-se para ela. — Então vamos fazer juntos — afirmou. — Tudo dividido, tudo conversado. O sorriso de Alicia foi imediato, misto de alívio e felicidade. Mais tarde, já em casa, eles confirmaram a data prevista: oito meses. O tempo necessário para erguer paredes, sonhos e uma vida nova. — Oito meses passam rápido — disse Alan. Alicia segurou as mãos dos dois, sentindo o futuro mais concreto do que nunca. — Vai ser o nosso lar — sussurrou. E, naquele instante, o terreno deixou de ser apenas terra. Já era casa.
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